Repentino e inesperado

Está frio lá fora.

Noite gelada, céu limpo no topo de Lisboa. Cidade iluminada e àquela hora silenciosa. Ou pelo menos assim a ouvíamos. Tu nos meus braços, aninhada, adormecida, segura e sonhadora. Ao embalo de carinhos e beijos senti algo que há muito não recordava. O meu peito estava quente, o tempo parou e o meu coração palpitava lentamente mas com uma força grotesca.

Não era normal, não é normal. Este pequeno momento neste pequeno espaço fazia que eu esquecesse o que lá fora existia, pois para mim naquele momento só tu e eu existia.
Foi um momento do acaso, repentino e inesperado onde apenas daria aso a uma conversa e uma certa magia pairou no ar contagiando as nossas almas. Atraiu os nossos lábios, uniu os corações, despertou desejos loucamente adormecidos.

E embalados fomos por ruas íngremes quase infinitas, roubando uns beijos escondidos por entre a multidão, largando sorrisos que se espalhavam pelos caminhos de pedra e que aqueciam ainda mais os nossos corações. Corações esses que tinham tanto em comum que as bocas apenas comunicavam para se beijar. Agora estou aqui ao som dos teus sonhos, sentindo o cheiro do pecado que se instalou no quarto, cheio de sede por mais e com medo de te acordar. Bela demais para te acordar. Vou recordar este momento para sempre. Impossível esquecer muito menos deixar de o sentir. Sei que passadas umas horas estarás longe das minhas mãos, com quem te reclama.

Mas agora estás aqui comigo mais perto do meu coração que nunca. Segundos depois de sentir um arrepio que me invadia o corpo, acordaste. Despertaste com um sorriso único, esfomeado, pecador e imperador.

Entrego-te a alma e devoras-me o corpo numa cavalgada dançante e conquistadora. Fazes-me escorrer em ti, tremendo e a pairar. Momentos destes…

Quero. Quero-te.

© 100 Modos #69Letras 2017

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