Que queremos nós no Amor?

Que queremos nós no Amor? Liberdade, Compromisso ou Conformismo?

Vamos hierarquizando certezas ao longo da vida…  Até que a vida nos revela um dia, de repente, que não existem certezas.
Há uma altura na nossa vida que temos a certeza do amor como algo pleno e infinito. Mesmo que o guardemos só para nós, vivemo-lo como se vivêssemos para ele. Vemos no outro que amamos, com um fascínio absoluto, a verdade apodíctica de que o amor é tudo. Depois vamos vendo que não… Que até a tampa de sanita que fica sempre levantada é mais importante que o amor… Bah… Até já nos custa dizer isso… O amor…. Temos a certeza que não, não é tudo…

Acabamos por dar ou levar um chuto no cu e lá se foi o amor…. Queremos afinal é a liberdade! Ser livre é a maior de todas as certezas e temos a certeza que ser livre é tudo o que queremos. A certeza de nunca mais querer um compromisso ou um envolvimento. Somos livres de nos esquecermos do tampão usado na casa de banho! Livres de não nos depilarmos, de andar de calças caídas pela casa. Sei lá que liberdades nos deliciam quando nos livramos da liberdade do outro…. Inventamos. Cada momento brilha mais que o anterior…. E somos livres de seduzir… E seduzir…. E seduzir…. E  depois vem o dia em que sentimos um vazio…. Afinal já não temos a certeza que queremos estar sozinhos. Para quê tanta liberdade se ainda temos memória? Do que perdemos, de quem fomos, do que nos tornamos… Tornamo-nos vulgares afinal…

Passamos a vida a hierarquizar certezas até que, no fim, ou a meio, ou de repente quando nos calha um momento lúcido, percebemos que não é nas certezas que encontramos o sentido para a vida. São dogmas que vamos mudando. É a mudança a única constante e na mudança só os pobres de espírito se agarram às certezas que um dia qualquer aprenderam.

Não posso dizer que tenho a certeza disto. Mas tenho a certeza que hoje é isto que me faz sentido.

 

Marie #69Letras


Deixar uma resposta