Os 5 Sentidos (Parte 4 – Última)

| M18 | Maiores 18 |

Fui buscar novamente o pequeno chicote. Aproximei-me de ti mas fiquei nas tuas costas. Removi-te a venda. Ficaste momentaneamente cega pela iluminação, estiveste muito tempo vendada. Fiquei ainda uns segundos a apreciar a vista… A minha carne. Estavas demasiado afectada pelo orgasmo recente que não tinhas forças para te virares para trás. Passei a ponta do chicote no interior das tuas pernas arrepiando-te toda. Estavas tão sensível que o gemido que produziste me confundiu entre prazer e dor. Fiz um gesto com o chicote para que afastasses as pernas. Àquela distancia conseguia perceber o quão molhada estavas… Projectei uma ligeira pancada no interior de uma das tuas pernas…

O grito foi bastante audível, e mesmo com uma sala deste tamanho com todos os utensílios fez-se ouvir o eco da tua voz. Todo o teu corpo lutava em vão contra a dor. Chicoteei a outra perna. Desta vez o espasmo foi tão grande que paralisaste de forma tensa, inerte, silenciosa em agonia. Voltei a bater, desta vez mais abaixo da perna, e na outra, fui descendo. Cedeste completamente ao momento e os gritos que controlavas deixavam de ser um problema. Fazias a tua voz ecoar por toda a sala cada vez que sentias o contacto do chicote. Continuei a descer… Atrás dos joelhos, gémeos, tornozelos, pés… Alternadamente.

Fiz uma ligeira pausa para que pudesses respirar e deixar que o teu corpo encontra-se o seu norte. Trinta segundos depois voltei às investidas. Começando onde acabei, subindo até às tuas coxas onde apliquei mais força, deixando marcas. Agora já não gemias tanto, sentia-te entregue à submissão. Passei o chicote levemente em cima das marcas e fazias por te controlar, arrepiava-te mas o trance era tamanho que apenas ouvia uns pequenos soluços misturados com choro. Percebi que estavas preparada, como eu queria.

Libertei-te do gancho e vi o teu corpo cair no chão sem qualquer luta. Não sentias dor, estavas em pleno trance. Lentamente ergueste a cabeça fixando o olhar em mim. Os teus olhos de choro, borrada da pintura e com os teus lábios a latejar soltaste umas palavras que inicialmente não foram audíveis.

– Alto! – Exigi dando uma chicotada no teu braço fazendo-te desequilibrar.

FODE-ME!  – Gritaste, desta vez em alto som.

– Não chega… – Comentei em tom de desilusão.

– POR FAVOR, FODE-ME NÃO AGUENTO MAIS! – Suplicaste.

– Insuficiente… Vamos parar com isto… – Disse friamente.

Baixaste a cabeça e… Um silencio atordoante dominou a sala. Apenas se ouvia o queimar das velas e do gancho que ainda baloiçava. Estava um odor estranho na sala. Sentia cada odor de cada vela que ardia mas havia mais qualquer coisa. Oh sim… O teu cheiro… A tua carne, suada da dor, a temperatura aumentava, tinha acordado o demónio… Finalmente cedeu. Estava na hora de o aprisionar na sala. Neste momento a tua cabeça levanta rápida e vejo outra pessoa. Eras tu, mas com uma outra alma.

– Oh sim… Vais-me foder… – Sorriste – Cada espaço meu é teu… Sim. Era isto que querias? Então vá, de que esperas? Vem-me foder seu cabrão! 

Não estava a contar com aquilo e cada palavra que disseste era como um se um orgasmo esporádico atingisse o meu corpo. Tremi. Congelei e pensei o que teria provocado. Oh sim… Era isto. Mas tinha medo. Eróticamente com medo. É neste momento que sou violentamente abalroado conta uma estante que estava nas minhas costas cheias de velas. O embate fez com que uma dezena delas caísse por cima dos meus ombros, desta vez fui eu que soltei um grito de dor. Ainda a agonia estava bem presente quando dou pela tua boa em mim, a degustar-me, saborear-te, faminta, como se de um tesouro se tratasse. A tua boca violava-me. Senti as tuas mão a pegarem as minhas e a colocares por trás da tua cabeça… Querias mesmo que te puxasse para mim, que me afogasse em ti…

Estavas a ir rápido demais que quase explodia de prazer. Foi a minha vez de responder. Em luta viro-te de costas para mim e empurro-te para a cama que existia mais ao canto da sala. Haviam correntes na cama pelo que me facilitou imobilizar-te meio debruçada sobre a cama… Oh sim. Tinha que me vingar da dor… Fui buscar velas e lentamente fui despejando a cera pelas tuas costas enquanto te penetrava lentamente… Ia espalhando cera por todo o teu corpo… Já não reconhecia os gemidos de dor e de prazer. Devorei-te ali assim, exorcizei-te naquele estado, apoderei-me da tua carne, servindo-me como queria como gostava, com os teus 5 sentidos em prova… Não mentira, falta 1… Desprendi-te e aqui tudo foi calmo e sereno… Provaste-me gota a gota… Sim, tinhas conquistado esta jornada, este jogo dos sentidos. Sorrias, satisfeita com o meu regozijo… E tu, minha. A minha besta, a minha calma, o meu desejo, o meu prazer, a minha fantasia real.

Voltaremos aqui… Disse-te ao ouvido.

© 100 Modos #69Letras 2017

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