Os 5 Sentidos (Parte 3)

| M18 | Maiores 18 |

Peguei na vela que estava acesa desde que chegamos, já estava a arder há uns bons minutos, notava-se pela quantidade de cera liquida acumulada. Apaguei a vela e soprei o fumo gerado pelo pavio queimado para cima de ti. Queria que sentisses o cheiro, o medo do que aí viria. Automaticamente todos os teus músculos ficaram tensos. Sabias.

Aproximei a vela de uma das tuas pernas inclinando-a. Deixei cair umas gotas de cera fervida para cima. Soltaste um grito que pareceu um gemido, começaste a luta na tentativa de te libertares, acenando com a cabeça negativamente. Repeti o mesmo na outra perna, desta vez foram soluços. A cera estava mesmo quente, demorava a solidificar na tua pele. Ou tu é que estavas muito quente. Nada como testar, pensei. Desta vez, despejei bastante cera fazendo uma linha desde o inicio da perna até ao joelho. Eu não conseguia ver os teus olhos mas certamente que estarias quase a chorar. Suavas agonia e dor. Embora fosse uma dor passageira, tentavas com todas as tuas forças sair da cadeira. Fui buscar outra vela, esta era um pouco maior. Removi a cera seca da tua perna e logo de seguida despejei mais desta nova vela. Agora sim, estavas a soluçar de choro.

Depois da cera secar aproximei-me de ti e segurei-te a cara. Fiquei frente a frente com a tua cara, embora não me conseguisses ver. Retirei a fita que te tapava a boca e assim que o fiz senti que foi um alivio para ti. Estavas a respirar de forma descontrolada e a arder em calor. Aproveitei e acalmei-te com um pequeno e leve beijo. Afastei-me e desamarrei-te as pernas, reparei que tinhas as marcas das cordas na pele, geradas pela tua luta para te libertares. Fiz o mesmo com as mãos. A tua primeira reacção foi abraçar o teu peito como se estivesses com frio, de seguida as pernas, senti-te com medo. Não era medo de mim, talvez da situação.

Levantei-me segurando-te pelos braços. Encaminhei-te para o meio da sala. O cheiro das velas era mais intenso agora, estamos mesmo no meio de um circulo delas. Peguei nas tuas mãos e apertei-as novamente, desta vez à frente. Depois pedi para levantares os braços totalmente para cima. Assim obedeceste. Tinha uma espécie de corda com um gancho na ponta suspenso vindo do tecto. E foi nesse mesmo gancho que prendi as tuas mãos com o nó que tinha feito. Estavas literalmente presa e quase suspensa. Se te deixasses cair os teus joelhos não tocavam no chão e desta forma impedia que relaxasses. Ou isso ou magoarias-te nos pulsos. Percebeste disso ao testar.

Inicialmente comecei por te tocar levemente nos seios com círculos delineados deixando-os tesos. Começaste novamente com aquele mordiscar de lábio que me entusa de imediato. Controlei-me. Coloquei-me ao teu lado e com uma das mãos acariciei-te a face, subi até à cabeça e por sua vez mexi no teu cabelo. Como tinhas o cabelo comprido dava perfeitamente para o que pretendia. Dei uma volta com o pulso de forma a agarrar o teu cabelo com garra e puxei-te para baixo, fazendo com que cedesses as pernas. Gemeste, dor e prazer, uma mistura de sons fez estremecer a sala. Com a outra mão toquei-te na barriga, de mão aberta como se de um gesto para te acalmares se tratasse. Afastei-te as pernas com a ajuda de uma das minhas pernas e com a mão que te tocava a barriga, desci.

Toquei-te. Senti-te. Húmida. Incrivelmente húmida. Aquilo tudo estava, apesar de tudo, a deixar-te louca. Não fui de modos e coloquei um dedo em ti. Um gemido silencioso fez-me salivar. Estava a adorar aquele momento, de te ver rendida à submissão. Dois dedos e novo gemido… Comecei com movimentos repetidos, lentos e profundos. Cada vez mais profundos. Fervias. Puxava-te ainda mais o cabelo. Os gemidos passaram a uma espécie de gritos de prazer, de um demónio que despertou em ti. Meti mais um dedo, três no total. Estavas a latejar. Escorrias uma nascente de gozo. Com os dedos em ti curvei-os para dentro e comecei os estímulos. A tua entrega neste momento foi total. Começava a minha verdadeira batalha. Entre o meu lado perverso e a fome. Queria tanto foder-te naquele momento. Estavas no ponto. Mas não. Precisava mais de ti, tinha que te descobrir. Queria libertar essa alma faminta, desgovernada de prazer e aprisiona-la nesta sala. Senti o teu orgasmo de tal forma que ao apertares as pernas, magoaste-me. Tirei os dedos, e ainda com os teus cabelos presos na outra mão dei-te a provar. Quis que te saboreasses, dedo a dedo. E assim o fizeste. Não só o fizeste como ainda me provocaste… Lambeste os dedos eróticamente, senti o brincar da tua língua dentro da tua boca… Assim era complicado.

(continua)

© 100 Modos #69Letras 2017

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