Os 5 Sentidos (Parte 1)

| M18 | Maiores 18 |

E hoje será assim.

Serás castigada. Punida. Cedida à tortura e ao prazer.

De olhos vendados faço-te entrar numa sala. Deixo apenas que dês três passos para a frente e ordeno que ali fiques. Tinhas entrado no meu mundo, no meu inferno, onde os meus demónios estão acorrentados e sedentos da tua carne. Carne essa que tinha que ser punida. Aqui, neste espaço eram os meus pecados que imperavam. O quarto não tinha nome. Nem iria passar a ter. Apenas os momentos ali vividos é que tinham um titulo. Noites de Pecado. Irias ficar a conhecer a razão. Todos os corpos que ali passavam deixavam parte da sua alma ali, aprisionada. O desejo. A fome. A dor.

Mas hoje é um dia especial. Despoletarei os teus 5 sentidos, deixamos activos, à deriva esperando uma acção. Porém serão eles a enfrentar os meus 7 pecados, que irão emergir, apoderar-se da tua carne, devorando-te a alma, ardendo os teus desejos em busca dos teus limites. Quebrando barreiras, fazendo-te implorar, chorar, delirar… A pedir mais.

Submeteste-te ao meu mundo e assim será. Farás parte dele.

A sala não tinha iluminação própria pelo que acendi velas. Eram umas 100 ao todo. Cada 20 delas com aromas e essências distintas, todos afrodisíacos. Ylang ylang, lavanda, gengibre, canela e limão. Notei que enquanto ia acendendo as velas, através da venda e da iluminação que se começava a notar, ias tentando detectar a minha presença.

– Mandei-te mexer?! – Questionei abruptamente.

– Desculpa… – Respondeste dominada pelo meu tom de voz.

– Mandei-te falar?! – Perguntei novamente com o mesmo tom.

Desta vez consentiste e baixaste a cabeça. Depois de acender as velas todas caminhei para junto de ti. Ali estavas, vendada e apenas de soutien e cuecas. Lentamente, caminhei à tua volta. Notava que as tuas mãos começavam a ficar inquietas. Os dedos tremelicavam. Aproximei-me da parte de trás do teu pescoço e soprei ao de leve junto à tua nuca. Arrepiaste-te. O arrepio percorreu todo o teu corpo. Toda tu tremeste com uma espécie de espasmo. Recompuseste-te. A tua respiração acelerou um pouco. Recomecei os passos em torno de ti. Depois de umas quantas voltei a soprar de leve. O teu reflexo foi o mesmo. Não impressionado agarrei nas tuas mãos e com o auxilio de uma gravata atei as tuas mãos atrás das costas. Apertei com força, notei que ficaste desconfortável.

Continuei a passada. Desta vez não soprei. Aproximei apenas a minha pele da tua de forma a que sentisses o calor roçar na tua pele gelada. Inicialmente não tiveste qualquer reacção. Passado uns segundos começavas a ficar arrepiada mas o teu corpo como reflexo inclinava-se para onde estava o calor. Querias sentir-me. Parei. Afastei-me de ti e fui até uma bancada que estava numa das laterais da sala. Tinha alguns objectos eróticos e entre eles alguns objectos cortantes. Procurei uma tesoura. Precisava de algo afiado.

Voltei para junto de ti, notei a tua inquietação misturada com a curiosidade, mas desta vez não havia receio, as velas começavam a fazer o seu trabalho. Os odores calmantes pairavam no ar. No entanto eu, continuava faminto e com os demónios à flor da pele. Abri a tesoura e com uma das duas afiadas pontas passei ao de leve na tua cara, tão leve que o arrepio que tiveste não foi de dor mas sim do frio da lâmina. Continuei e fui descendo a lâmina até ao pescoço. Subi novamente. Parei.

Fiquei a observar-te uns segundos enquanto deliravas de expectativa. Apesar de ainda não ter feito quase nada, transbordavas curiosidade. Até agora estavas a aceitar, receptiva, ao sabor da maré. Desta vez passei um dos bicos da tesoura na tua barriga, percorrendo-a. Aqui surgiram as tais borboletas. Via-se as contracções claras provocadas pelos arrepios. Parei novamente. Agora foi na parte lateral do teu corpo. Passei as lâminas mas com um pouco mais de força. O arrepio foi enorme que te desviaste, saíste do sitio onde estavas. Tolerei o primeiro desobedecimento.

Como o teu soutien era curto dava destaque aos teus seios. Com as lâminas passei na parte de cima deles. Ao de leve. O arrepio foi tão grande que gemeste e inconscientemente tentaste desprender-te da gravata que te atava as mãos. Repeti o gesto mas com mais força nas lâminas. Desta vez sentiste dor. Recuaste. Mas ficaste confusa. Senti que ficaste na dúvida entre prazer ou tortura.

– Mandei-te sair do sítio?! – Perguntei friamente. As palavras atingiram-te com força que o medo surgiu na tua pele. Ficaste arrepiada.

(continua)

© 100 Modos #69Letras 2017

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