Num sonho que sei nosso

Repousar no teu peito… A calmaria depois da tempestade de sentimentos e momentos…
Aqui, enquanto a minha respiração volta ao normal e ouço o teu coração a bater como se te fosse fugir do peito e te observo o sexo ainda reluzente e melado de mim, de ti, de nós recordo como vim aqui parar…

Há muito que adiávamos a conversa olhos nos olhos e os assuntos iam acumulando, somos afinal dois poços onde corre a mesma água… Horas de conversas ao telefone, kilometros de conversas escritas, dezenas de partilhas e marcas onde tudo parava, porque este tipo de conversa tem que ser pessoalmente…

Almoço onde apesar de completamente encabulados pareciamos amigos de longa data, olhos e almas a relaxar conforme se reconheciam, um vinho, um gin e o sorriso que já se lia além do olhar… Vamos falar onde mais ninguém nos oiça? Disseram os teus lábios quando a minha cabeça pensou…

Naquele sítio já pensado para ser completamente privado, íntimo como tinham sido todas as linhas trocadas, a amizade e aquele lado que bem nos conhecemos prevaleceu e bricamos como crianças à volta, espreitando pelas janelas… Fugindo do desejo crescente de nos consumirmos…
Passaram minutos, horas, anos… Não sei, perdi o tempo envolvida nas palavras que soam tão fluidas da tua boca como a minha mente as traduzia das tuas letras…

Perdi-me e encontrei uma alma no cosmos, num plano desviado da loucura que parece envolver as nossas vidas, as histórias foram sendo disparadas e acolhidas até ao ponto de as bocas se unirem… Sôfregas, ansiosas… Munidas de uma chama louca por se apagar com gasolina e oh deuses se eras o combustível que precisava para reacender a Fénix que andava adormecida nas cinzas da rotina… Esse sorriso, esse toque… Senti a carne queimar enquanto os dois corações se abraçavam…

Senti-me tão eu, tão tu, tão tua… Somos uno e este sonho vai ecoar em ti… Sente-me, volta a ti e sorri…
Sabes? Sentes? É isto…

©VickyM #69letras

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