Mergulhei em ti, como se mergulha no azul claro do mar, nadando pelo teu corpo e abrindo-o de par em par!

Entraste pela manhã, ainda o meu corpo dormitava, mas a alma essa, estava desperta e na escuridão te aguardava.

Abriste um pouco a janela e o sol, raiando o teu cabelo, veio beijar tua boca tão bela.

Sorri e puxei-te para mim, para te sentir a meu lado, nesse ardor, nesse frenesim, que nos leva ao pecado.

Naquela semiescuridão, teus olhos foram o meu farol, guiando uma alma perdida, em direção ao teu atol.

Mergulhei em ti, como se mergulha no azul claro do mar, nadando pelo teu corpo e abrindo-o de par em par.

Demorei, saboreando essa ilha de húmido salgado, esse atol desalmado que a alma me sarilha e colocando um dedo em tua boca, desesperada e louca, me pediste que te sussurrasse e eu com voz firme e rouca, numa palavra quanto baste, sem que ainda em ti entrasse, teus olhos em meus reviraste.

Quando entrei nesse atol de coral, húmido quente num suave ardente forma de animal, teu corpo pulsou e numa explosão de energia vibrante, num orgasmo tua alma tomou.

E eu, ali fiquei a escrever poesia, passando a mão em teu corpo, em cada sinal, cada pedacinho,

nessa semi escuridão, como um escritor que virou animal e em teu atol de mulher,

perdeu a escrita pelo caminho,

mas deixou o lápis na tua mão,

até o corpo ceder no teu atol em desalinho.

O Inquilino#69Letras

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