Jantar de Bons Rapazes

Texto Erótico|M18

Uma tertúlia entre escritores 69Letras

Sexta-feira, dia de jantar com a rapaziada. Eu, 100 Modos, 7th Sin e o Anónimo decidimo-nos por marisco, e nada melhor que aquela marisqueira na Baixa, famosa pelas lagostas e mexilhões que nos deixam deliciados. À entrada um belo grupo de mulheres falava sobre roupas, maquilhagem, encontros quentes e sobretudo dos textos da 69Letras. Nos seus olhos e nas suas expressões era notório o desejo de viver e serem personagens principais daquelas maravilhosas experiências do 7th Sin, das sedutoras citações do 100 Modos, dos encantadores e arrebatadores contos eróticos do Vizinho e dos pensamentos sempre apaixonantes do Anónimo. Mal elas sabiam quem estava a ouvir a conversa.

Puxámos de um cigarro para fazer tempo enquanto a conversa típica de homens era constantemente interrompida por uma das funcionárias vestida a rigor (mini saia, camisa branca e laço preto) que vinha à porta e numa voz rouca e sedutora perguntava:
– Mesa para quantos Mr. Sin? – De cada vez que vinha, olhava de soslaio para o nosso grupo! Eu começava a ficar irrequieto, tal como o resto dos rapazes…
– Se isto demora muito, temos de começar a faturar cá fora! – disse o Vizinho. A gargalhada foi geral! Tão alta e em uníssono que fez com que a funcionária viesse novamente à porta. Chamou-me e perguntou-me se era a mesa para despedida de solteiro. Olho para trás, pisco o olho à malta e disse:
– Sim, é. Mas não queremos que se saiba. Ele quer-se manter Anónimo. Pisquei-lhe o olho ao mesmo tempo que ela me disse que teria uma mesa e algo especial reservado para nós.

Reparo na cara do Anónimo que estava meio confuso sobre o que o 7th Sin tivera falado com a funcionária. Dei uma leve cotovelada no Vizinho que imediatamente puxou pelo Anónimo para dentro do restaurante. Ao contrário do que estava lá fora, lá dentro estava um silêncio reconfortante e passava uma música leve e baixa de fundo que mal se percebia. A funcionária acompanhava-nos seguindo à nossa frente com aquele caminhar meio galopante e sedutor. Ocasionalmente ia olhando para trás para garantir que a seguíamos. Foi de pouca dura… Tanto eu como o Vizinho estávamos a apreciar os belos dos mexilhões em exposição debatendo sobre o tema como se tivéssemos alguma experiência sobre o assunto.
– Este parece um que uma vez vi lá no Algarve. – Comentei.
– 100Modos? Algarve?? Tsss. Rapaz, no Norte também há disto e temperado. – Disse o Vizinho apontando para o valente mexilhão. – Fresco? – Questionei.
– Armado em esquisito não? – Retorquiu.
– Os meninos fazem o favor de me seguir?? – Disse a funcionária com uma cara já meio impaciente uma vez que o Anónimo e o 7th Sin já se tinham sentado à mesa… Deliciados com qualquer coisa. Via mal ao longe mas o Vizinho afastou-se num ápice e foi em direção à mesa. Segui-o.

O aparato montado custou-me tempo, olhinhos e energia, mas valia a pena caprichar na última saída para a loucura do Anónimo… Sala interior reservada, modelo contratada, marisco e sushi da melhor qualidade e claro o melhor serviço que eu fiz questão de prestar pessoalmente vestida em seda preta, saltos altos e uma maquiagem sóbria mas sedutora. Ser “one of the guys” serve para este tipo de privilégio… Tinha a modelo, linda, montada com sushi e sashimi espalhado pelo corpo, emoldurada com ostras e o restante da mesa que não era ela com os restantes acepipes. Montei os lugares para que ficassem todos do mesmo lado da mesa e para que fosse mais fácil servi-los. Adorei ver a cara dos rapazes quando se depararam com o ambiente quente e sedutor que preparei. Exceto o Anónimo, todos sabiam mais ou menos ao que vinham mas até o meu maior cúmplice nesta tramóia, o Vizinho, me abordou e soprou no meu ouvido “Esmeraste-te Vicky… E também estás deveras apetitosa.. ”
Corei mas tentei manter a postura. O jantar em si correu tranquilo, com as habituais piadas, muito vinho, os comentários sobre as loucas da entrada, a hipótese de as convidar a ser a mesa da sobremesa… Enfim… Estava a ficar excitada com a brincadeira e no fim da refeição, quando pedi à modelo que se retirasse, os rapazes agradeceram, corteses, o 100Modos fez questão de lhe depositar um beijo num dos pés perfeitamente tratados, o Vizinho ajudou-a a levantar-se, o Anónimo vestiu-lhe o robe… E o senhor Sin agarra-me no rabo, por cima da seda que era a única coisa que tinha por cima da pele naquela noite e pergunta-me “Qual será a nossa sobremesa, Sra. Vicky?” Fechei os olhos e inspirei aquele toque guloso e a voz rouca que me atingiram diretamente no sexo e quando voltei a mim vi que havia ainda muita fome naquela sala.

Definitivamente cada vez menos percebia o que se estava a passar neste jantar e para o que viemos. Verdade seja dita, neste momento tínhamos o restaurante todo só para nós pois éramos os últimos clientes ainda presentes e tanto quanto aparentava só lá tinha ficado igualmente aquela empregada tesuda de cabelo escuro e olhar rasgado capaz de derreter qualquer um. O 7th Sin ainda agarrado ao seu rabo empinado continuava a sussurrar-lhe ao ouvido. Os seus bicos entesavam enquanto mordiscava o lábio. O Vizinho aparece-lhe gentilmente pela frente e num pequeno toque no seu pescoço sente-se o seu arrepiar na pele. E Vicky, excitada e atrevida beija o Vizinho enquanto lhe segura no “membro” bastante notório nas calças. Não que eu aprecie mas, que se notava, notava mesmo. O 100Modos ainda meio atrapalhado com tudo que se passava, tentava acabar sua bebida o mais rápido que conseguia para se juntar à festa que ali iniciava. Mal pousava o copo e antes de conseguir dar sequer o primeiro passo, a modelo do sushi que nos foi servida como jantar, aparece-lhe por trás e ferra-lhe suavemente a orelha. A festa acabou de aumentar com um novo membro. Eu, Anónimo, continuo a beber minha bebida e fumo um cigarro, excitado com tudo que ali se passava. Verdade era que sentia que faltava ali algo ou alguém. Talvez aquela loirinha do grupinho da entrada que não parou de fazer me olhinhos e pela qual me derreti. Eles estavam tão distraídos que nem deram pela minha saída pé ante pé.
“O que eu queria mesmo era aquela loirinha…”
Puxo de um cigarro enquanto caminho pelo passeio e dobro a esquina que me direciona ao meu carro. Qual a minha surpresa ao ver aqueles cabelos loiros, soltos e esvoaçantes, pertencentes a um corpo tão rebelde e desejável, encostados ao meu carro.
“Vi-te chegar e soube que era o teu carro. Dás-me boleia?!” disse-me.
Sem responder aproximei-me, agarrei-a pelo pescoço e beijei-a. A vontade de a possuir naquele instante era imensa mas, não era o momento.

Vicky M
Anónimo
100Modos
7thSin✟
O Vizinho
69 Letras® 18.01.2017

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