Dona e senhora de mim

Enquanto vejo a minha vida em slow motion, respiro e dou um tempo ao EU em mim.

Meu tempo, meu EU.

No meio de tantos outros EUs, estou eu de frente á passadeira da vida, à espera que o sinal verde me autorize a avançar.

Uns passam devagar sem influenciar o equilíbrio do meu EU mais frágil e sensível.

Outros aceleram agressivamente com as rodas por cima dos meus pés cansados de palmilhar quilómetros no deserto da vida, sempre com vista para o mar como quem atiça os sentidos.

Parada e imóvel, deixo-me ficar. Vendo os EUs  num delírio dos afazeres com prioridades desfasadas e contrárias às condições humanas. Tudo parece ganhar um relevo muito importante quando se trata de desejos e umbigos egocêntricos.

Eu prefiro parar. Olhar em redor e respirar cada essência de todos os EUs da minha vida e capturar no meu coração os que se fundem em mim. Aqueles que teimam em não largar o meu EU.

Os doces EUs da minha vida.

Há seres humanos que vêm a este mundo adocicar outros mundos cujos os quais se enquadram no meu. São EUs que num ápice passam a TEUs e no meu EU se ficam.  Seres demasiado raros e poucos numa vida tão preenchida.  Mas são meus e uma vez tatuados no meu EU,  jamais saem do meu tempo.

Impregnados na minha vida e subtilmente elevam o EU que por vezes nem eu própria o estimo.

Uns chamam de EGO e outros de mau feitio mas eu prefiro chamar

o EU do meu TEMPO.

 

©Miss Steel 69letras 2017 

 

 

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