A vida corre e eu arrasto-me atrás dela

Enquanto a vida corre, eu vou correndo sob a influência dela.

Vou pisando um fio de ouro e vou explodindo luz para tactear caminho. O fio de ouro magoa os pés, mas pior, ele vai esquartejando como vidro meu peito encolhido.

Eu vou sobrevivendo abrindo portas, mesmo sabendo que elas me levam para o vazio. Vou sobrepondo cartas numa mesa velha e massuda, jogando um jogo que me obrigaram a aceitar.

Vou guardando pedras para as poder atirar à tirania do meu olhar.

A força foi-se dissipando e sou moída pela saudade e cólera.

Vou misturando os sentidos com sabor alcoólico, vou afogando e revezando a alegria e a tristeza numa dança desengonçada.

Avanço num labirinto que vai alterando os caminhos, como que para me enganar. Dou conta que vou de mão dada com o vazio, e as pernas vão tremendo, ficam mais curtas…

Tormenta Azul

#69letras

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