Whisky com duas almas (Parte 4)

Estava um pouco zonzo. Decidi lavar a cara. Refrescar-me.
Abri a torneira e pus a mão debaixo de água. Aqui percebi o quanto quente eu estava, deixei a água correr um bom bocado e de seguida passei-a pela cara. Era daquilo que estava a precisar.

Fechei a torneira e procurei papel para me secar. Ao ver que não havia, senti uma presença. Não a ouvi chegar. Era ela. A mulher com quem estive a falar até agora. Entre nós existia apenas uns centímetros de distância. Ela agora olhava-me de maneira diferente, focava os meus lábios e eu… os dela.
Esqueci-me por momentos onde estávamos e, a música de fundo tocada pela banda não ajudava, era uma das minhas músicas favoritas. De tão quente que eu ainda estava nem reparei que ela tinha agarrado uma das minhas mãos. Conseguia sentir o seu perfume, a sua respiração e o seu calor.
Tudo estava perfeito naquele momento. Parte de mim, a pouca parte sóbria, estava com bastantes reticências sobre aquele momento. A outra parte… Não queria saber definitivamente e acabei por ceder.

Aproximámo-nos lentamente, sem tirar os olhos dos lábios de cada um. Naquele instante o mundo parou. largeBeijámo-nos. O que era isto? Tudo isto era tão súbito e tão bom. Os seus lábios eram quentes e doces. Ela beijava claramente muito bem. Contornei a cintura dela com o meu braço e puxei-a contra mim. Os beijos aumentaram de intensidade. Começávamos a perder o controle da situação. Não conseguia pensar em mais nada. Senti a mão dela a passar por detrás do meu pescoço e a subir até aos cabelos. Aquilo excitou-me. Senti-a a trincar o meu lábio em gesto de provocação e perdi a noção do espaço. Caminhei para a frente de forma a encostar na parede. Ouvi um gemido, não de dor mas de prazer. Agarrei-lhe os braços e levantei-os de forma a ficarem acima da cabeça e também encostados à parede. Tinha controlo sobre a situação. Beijei-a loucamente. Pescoço, acima do peito e fazia pausas de provocação. Parei por segundos e fixei o olhar nela. Estávamos ofegantes pela intensidade do momento.

Da pouca mobilidade que ela dispunha ainda conseguiu aproximar-se de mim e morder-me o pescoço. Conseguiu libertar-se e, desta vez foi ela quem me segurou os braços. No corredor que dava acesso aos WC’s existia um banco, semelhante aos bancos de jardim, que deveria ser para as “filas de espera” e ela foi-me empurrando até ele. Sentou-me abruptamente. Arregaçou ligeiramente o seu vestido de forma a poder se sentar em cima de mim. Ela claramente notou que eu estava excitado. Ela riu-se. Aquele riso foi demasiado erótico, ela estava a deixar-me completamente doido. Tentei beijá-la de novo, mas ela desviava-se. Ela insistiu em manter os meus braços presos, colocando-os de forma a que parecesse que estava algemado. Eu sabia que de facto não estava preso, mas quis deixá-la guiar o momento. Senti-a morder-me levemente uma das orelhas. De seguida passou a língua no meu pescoço e o meu coração acelerou o dobro do que já estava. Desta vez fui eu a soltar um breve gemido de prazer. Só naquele momento reparei que ela trancara a porta que dava acesso ao corredor dos WC’s. Estávamos sozinhos, percebi. Ninguém iria entrar. Foi então aqui que me deixei de preocupar…

Desprendi-me. Começava a ficar extremamente quente naquele espaço e uma vez com a porta trancada não fui de meios modos e tirei a camisa. Só naquele momento reparei que estava suado, muito suado. Ela não se preocupou nem um pouco com isso. Já sentada em cima de cima de mim, passou ambas as mãos no meu peito, depois com as pontas dos dedos, levemente. Fiquei arrepiado de prazer. Foi descendo as mãos lentamente até chegar à zona da cintura.
Voltei a segurar-lhe as mãos e prendi-a com as mãos atrás das costas. Passei a língua na zona do seu peito e fui subindo até ao pescoço, beijei-a nessa área e, por vezes, dava umas mordidas leves. Sentia-a vibrar de excitação. Ela disse-me qualquer coisa ao ouvido, mas com a emoção toda daquele momento, mais a música de fundo, fez com que as suas palavras não fossem perceptíveis.

– Queres? – Perguntou ela, ofegante e num tom de desejo.
– (…) – Não consegui responder, quis controlar primeiro a respiração.
– Podemos par… – Tentou dizer ela.
– Quero! Nem penses questionar. Disse, interrompendo-a.

2987e02s-960Mais uma sessão de beijos loucos. Desta vez comecei por lhe baixar as alças do vestido, um braço de cada vez. A sua pele era tão macia e no meio daquele calor todo ainda mantinha uma certa frescura. O seu perfume deixava-me mais louco a cada segundo que passava, mas cada vez mais me era familiar. Ignorei.
Baixei-lhe o vestido até à zona da barriga. Desta vez fui eu a acariciá-la. Nisto ela pegou nas minhas mãos e colocou-as sobre os seios. Que corpo, pensei. Tudo nela era fascinante. Depois fez descer ligeiramente as minhas mãos e fê-las subir de novo para os seus seios, desta vez debaixo do soutien. Aquilo estava a matar-me. Estava tão excitado que já me magoava estar naquela posição. Tive que aguentar…quis “saborear” aquele momento.

Removi o soutien sem prestar atenção à forma como o fiz. Largou as minhas mãos e começou a mexer a sua cintura de forma muito subtil. Sentia-a excitada, húmida, pronta. Coloquei as minhas mãos na sua cintura enquanto lhe beijava o peito. Foi de pouca dura, empurrou o meu peito para trás, ganhando alguma distância e tocou-me no meio das pernas. Gemi. No momento não estava ciente se era de prazer ou dor, ela tratou de arranjar a solução.

Desapertou-me as calças, não as tirou, apenas abriu o botão e o fecho e sentiu-me. Já não dava para pararmos. Todas as interrogações foram postas de lado, todas as dúvidas esquecidas. Ambos estávamos numa situação em que era aquilo que queríamos. Esquecer tudo e viver uma loucura. Sentia isso nos beijos dela, na forma de me tocar, no desejo. E era mútuo. Eu também precisava daquele momento. Esta descarga, esta angústia, raiva, desejo, ânsia, querer, não podiam ser parados. Já nada nos faria parar. Comecei a entender a nossa forma de comunicar. Certamente que isto não era algo de novo. Não era a primeira vez que tínhamos chegado a este ponto. Quem era ela? E porquê?!

– Não pares! – Disse eu quando a senti tocar-me por baixo da roupa.

(Continua)

© 100 Modos #69Letras 2016

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