O que se passou?

Acordei. Senti uma presença ao meu lado. Quem és? Não me recordo.
O que se passou?

Por breves momentos pensei quem é que trouxe quem, eu a ti ou tu a mim.

Rapidamente descartei essa dúvida. Ao ver-te ali despida de preconceitos, a dormir sem medos como se partilhássemos algo em comum. Deveria acordar-te? Não.

Um calor emocional preencheu-me. Quis abraçar-te. Talvez fosse parte de mim a ceder a uma vaga de carência espontânea, ou pena. Quis voltar-me a deitar ao teu lado, aninhado a ti. E eu nem sabia ou teu nome, ou não me recordava, ainda não estava em mim, sentia-me meio perdido, embora em minha casa, no meu espaço. Abracei-te. De seguida senti que te entregaste ao momento, puxaste-me ainda mais para ti. Não sabia como lidar com a situação, talvez tu também não. Mas aquele momento estava a saber por mil passados. A partir daqui ignorei o meu subconsciente, medos e questões sobre o que se passara.

Estou com aquele feeling que esta é daquelas histórias que não importa como começa mas sim como irá acabar. Mas por agora… Que não acabe. E adormeceste de novo nos meus braços e eu junto a ti.

Quando voltei a acordar já não estavas lá. Nem um bilhete deixaste. Quem eras? Aparentemente ninguém. Penso que sempre foste um momento, uma memória que me confortava nestas ausências, nestas carências. A luz da minha escuridão.

Vou procurar-te…
Vou voltar a dormir.

© 100 Modos #69Letras 2016

 

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