Não brinquem com as palavras, elas queimam

“Nunca te deixarei…”

O poder destas palavras é algo medonho. Muitas vezes é dita em tom de promessa, noutras soa em tom de pedido.
Mas o que tem estas palavras de tão poderoso que pode variar entre o porto seguro até desilusão como se um chão fugisse dos nossos pés? E por esta mesma razão será racional prometer tal coisa a alguém? Como se pode prometer algo que nunca é nossa na totalidade?

Este conjunto de palavras remete-nos ao facto que não somos de ninguém e ninguém é nosso. Nunca devemos tomar ninguém como garantido nem passar-nos por garantidos. Esta sentença deveria ser proibida. Não esta em causa a conotação desta expressão mas sim do impacto destrutivo que tem após abandono.

“Nunca te deixarei” – Mas deixaste.

Depois nascem as questões sem fim. Um batalhar com a nossa mente infinito. Só a exaustão a pára.
É deveras injusto prometer isto a alguém, em circunstância alguma. Se meio mundo já tem dificuldade em garantir promessas ao outro, quanto mais a nós… Recuperar de um abalo destes não é fácil, por vezes chegamos a pensar que é impossível. Alguns acabam mesmo por aceitar o impossível e por ali ficam. Auto destroem-se, tomam atitudes ingratas e ficam convencidos que esta é a forma de resolver o problema ou pelo menos de não o enfrentar.

Devíamos ter mais cuidado com aquilo que dizemos, quando dizemos e como dizemos. As palavras são armas poderosas quando usadas erradamente ou de forma ambígua. É suposto serem pilares sólidos que nos tranquilizem e provoquem conforto. Não falem apenas para vós ou para ficar bonito. É um “paradigma” falacioso. Lembrem-se que somos seres que comunicam. E comunicamos com outros seres, tal como nós. Como tal, há sempre um que fala e outro que ouve.

Não brinquem com as palavras, elas queimam.

‪#‎desabafo‬

© 100 Modos #69Letras 2016

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