Hoje só me quero a mim…

Sozinha… Os lençóis ainda frios envolvem o meu corpo, num aconchego que teimo em procurar em todo o lado.
Quem me mandou a mim provar o impossível? O melhor lugar do mundo é no calor do teu abraço e agora não quero nada menos do que isso. Nada mais me satisfaz!
Sento-me… Puxo os joelhos para cima e abraço-os com força. Olho à minha volta e tu existes apenas em pequenas lembranças espalhadas pelo meu quarto. O casaco que vesti quando estive contigo da última vez, pendurado na cadeira junto à janela. As calças que me tiraste com as tuas mãos frias a deslizar pela minha pele a escaldar, guardadas no armário. O meu soutien preto em cima da cama. Aquele que mesmo às escuras apertas à primeira tentativa.
Olho à minha volta e tu existes apenas em mim. Na história tatuada na minha alma, na história que as tuas mãos escrevem no meu corpo sempre que o universo se alinha e nos faz encontrar, num mundo feito de desencontros.
Fecho os olhos, apoio os cotovelos nos joelhos e deixo a minha cabeça encontrar as minhas mãos. Deixo os meus dedos mergulharem no meu cabelo e sinto o silêncio… Podia ter outro corpo aqui ao meu lado. Outra boca a descobrir o meu corpo. Outras mãos a escreverem outra história. Mas eu não quero… Hoje eu não quero nada.
Só a mim. Só o silêncio. Só a minha solidão.

Raio de Sol | #69Letras

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