Então fartaste-te da cabra? (Parte 1)

| M18 | Maiores 18 |

Estávamos na casa de praia com os amigos, festa de aniversário de uma grande amiga tua. Não tínhamos chegado há muito e grande parte das pessoas já lá estavam. Entre sorrisos e gargalhadas, estávamos lá nós. Um pouco irritados um com outro, fruto do stress entre casais quando se tentam despachar para algum lado. Fui buscar um copo de champanhe para tentar diluir este estado de espírito.

Dirigi-me até à cozinha e não só encontrei o champanhe como um casal amigo de longa data. Reparei que era estavam casados, através das salientes alianças que tinham. Não foi preciso muito para começarmos a falar.  Ele não hesitou em vangloriar-se do emprego que dispunha, entre negócios realizados e entre bens materiais. A certo ponto da conversa deixei de ouvir. Porém a sua esposa parecia estar cansada de ouvir estas histórias. Concluí, com isto, que ele o fazia a toda a hora. Ela reparou que eu já tinha o meu copo vazio e não teve problemas em servir-me, assim como ela. Foi então que reparei que ela estava a tentar comunicar comigo.

Ela não estava a usar palavras para o fazer, era tudo através do olhar. Que mulher penetrante, pensei. Esta mulher era claramente dominadora e sabia o que fazia, pelo menos no contexto de despertar o interesse. Comecei a ficar curioso. Apenas isso. Não podia negar que permitir qualquer aproximação desta mulher era um perigo letal. Desviei a atenção procurando ignorar o seu olhar voltando então a focar-me na conversa entediante dele. Notei que mesmo assim ela não parou de fazer o seu jogo. Estava a ficar incomodado com aquilo e ao mesmo tempo chateado porque ele não se calava. Segundos depois apareceste tu. Raios como estavas stressada hoje.

Pediste meio abruptamente que te servisse algo, tal atenção a minha que nem ouvi completamente. Por momentos exaltei-me, inconscientemente e respondi agressivamente. Não foi propositado mas toda aquela situação estava a deixar-me inquieto e um tudo nada desconfortável. Ficaste durante uns segundos paralisada a olhar para baixo, notei o teu rosto a ficar vermelha de vergonha. Percebi que tinha passado um poucos os limites. Não só por ter falado como falei mas sim por tê-lo feito em frente do casal. Segundos depois, pousaste o copo que trazias, viraste costas e saíste da cozinha em direcção à sala. Ainda tentei remediar a situação chamando o teu nome mas não ligaste nenhuma. E com razão. Fui bruto e parvo. Fiquei atrapalhado e indeciso no que fazer. A esposa do casal ainda tentou amenizar a coisa perguntando se queria beber mais alguma coisa. Acenei com a mão negativamente e pedi uns momentos. Fui até à sala e não te vi. Perguntei por ti e disseram que terias ido para o terraço.

Pensei ir até lá, ficava no andar de cima. Provavelmente todo aquele stress, toda aquela gente, e todo aquele aparato tenha mexido contigo. Talvez, não! De certeza. Voltei à cozinha para fazer tempo, não faria sentido ir ao terraço de imediato, sei que precisavas de espaço. Dirigi-me à esposa do meu amigo e perguntei se me poderia servir, ela nem pensou duas vezes. Sorriu. Estendi o copo para me servir e ao fazê-lo ela tocou-me na mão. Foi então que concluí. Tu não me vieste pedir nada. Vieste marcar território. E eu parvo, afogado pela situação, não tinha entendido. Ela largou-me e bebi o copo todo de rajada. Nem agradeci. Disse para o meu subconsciente “Que cabra esta gaja, mesmo em frente ao marido.” e agora tinha que corrigir a merda que fiz. Saí da cozinha, passei pela sala e fui para as escadas, subi.

Já era de noite, estava quente. Senti o cheiro a lavanda, talvez fosse da plantação ali ao lado, mas também se sentia um leve cheiro a mar. Oh sim, que vista. Não, não me referia ao mar. E sim a ti. Lá estavas tu. Ao fundo do terraço, com aquele justo e delineado vestido azul. Que deusa. Estavas debruçada sobre o muro do terraço, estavas a observar o mar. Só pela distância sabia que tinhas estado a chorar. Fiquei irritado comigo ao sabê-lo.

“Otário” Pensei.

Dei um passo para a frente tentando não fazer barulho mas em vão. Ao ouvires-me, ajeitaste-te, e pediste logo desculpa. A tua voz… Estavas triste e ainda me estavas a pedir desculpa… Não resisti. Virei-te para mim e pedi desculpa também. Abracei-te. Como cabias bem nos meus braços.

Continua…

© 100 Modos #69Letras 2016

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