Cigarro partilhado

Entre as reentrâncias e saliências, do Bairro Alto
Encontrei-te…
No olhar a volúpia,
No corpo, o ar de quem se dá a pecar…
Aquele pecado, de sabor vadio,
Como o fado cantado na tasca do lado.

Olhavas-me com vontade de ouvir o mesmo fado
Encostadas, fizemos companhia uma à outra
Um cigarro partilhado
Bolas de fumo cruzadas, no ar
Uma ginjinha de se abrir a vontade

A parede, por detrás, é decadente
Todo o cenário chama por depravação
Sinto-o em cada poro, que me celebra a pele
Não desvio o olhar dos teus lábios vermelhos
Imagino-os já esborratados, marcando-me
Sugando os meus, vermelhos também…

Sempre que passas por mim, marcas a diferença
Não serás tu, obra do pecado que se cruza no meu caminho?
Gosto do teu aspecto!
O teu ar de Maria  rapaz…
All stars e collants de vidro.

Tu ao contrário,
Vestido  justo aos anos cinquenta
Saltos altos e jóias douradas
Decote profundo, provocativo…
Estar perto de ti, exorciza-me de mim mesma
Estar perto de ti, faz-me querer pecar …
Contigo ….

Uma espécie de fado vadio, fado de rua…
Fazemos o nosso destino
Esta noite seremos duas Amálias.
O início tem sempre uma grande música…
Numa rua escura da capital
Beijas-me.
Tudo começa agora ….

The Oyster #69Letras
Maria dos Collants #69Letras

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