A Vizinha da frente 3

| M18 | Maiores 18 |

Tomei o pequeno almoço, estava anormalmente inquieto. Tinha acordado assim. Não me recordo de foi algum sonho ou se seria algo que estivesse inconscientemente a gerar stress. Não estava certo da origem deste demónio que me incomodava. Só pensava numa coisa. Era algo que me deixava excitado. Como?

A vizinha não me saía da cabeça. Concluí. Incrível como entrou rápido e na minha mente habitou. Fui à janela. Como de costume, estava entreaberta de cortinados afastados. Desta vez a cama estava feita. Fiquei ali um tempo a observar, aguardando que ela surgisse como habitual.

Nada…

Precisava de a ver. Este ciclo, estas manhãs, estes pequenos almoços começavam a ser um vício. Sem dar conta já estava dependente. Não resisti em ponderar uma visita “acidental” à porta dela. Mas que desculpa iria eu arranjar para ir até lá? Ok, entrava no prédio, ia até ao andar dela e depois? Tocaria à porta? Toda esta incógnita fez-me sorrir. Percebi que não valeria a pena estar receoso, se a visse certamente que saíria qualquer coisa. Vesti-me, bebi o resto do café e avancei. Ao entrar no prédio notei na música que tocava de fundo, calma e melódica. Pensei que poderia ser dela, seria algo que ela ouviria certamente. Tinha um grande lance de escadas para subir, até ao 4º andar. As escadas eram grandes e de mármore, ainda ia apenas no 2º andar e já sentia o coração a querer saltar do peito para fora. Ao chegar ao 3º andar ouço vozes. Congelei. Duas mulheres, e uma delas despertou logo o meu interesse. Era ela. A vizinha.

As escadas ecoavam bastante pelo que não dava para perceber o que diziam ao certo, mas percebi que eram risos leves, pareciam estar a fazer troça de algo. Tentei olhar pelas escadas no 3º andar e reparei nelas. Ali estava ela, de cabelo solto ainda meio húmido, provavelmente do banho e com aquele seu olhar pecaminoso. Com ela estava outra mulher que parecia ser a sua vizinha. Era um pouco mais velha, uns anitos. Tentei inclinar-me mais um pouco para perceber quem era, mas estraguei tudo. A mulher que estava com ela reparou em mim e na minha curiosidade. Estava petrificado e não sabia se haveria de me esconder ou ficar ali. De súbito a vizinha olhou para mim. Fez o sorriso habitual, piscou-me o olho e tudo a partir daqui ficou estranhamente estranho. Sem modos começaram a beijar-se, inicialmente de forma calma e muito exibicionista. Elas sabiam. A forma como se tocavam parecia completamente normal. Habitual. Conheciam-se uma a outra. Fizeram uma pausa e a vizinha fez-me um gesto como quem me chamava para subir as escadas. Por reflexo obedeci. As pernas pesavam-me bastante e cada degrau que subia a erecção magoava-me. Ela riu-se de tal aparato. Ao chegar ao mesmo nível que elas percebi que da cintura para baixo apenas estavam de cuecas…

Oh que pecado. Que duas deusas. Doidas e sem vergonha.

A vizinha não me dirigiu uma única palavra. Mas pela primeira vez estava tão próximo dela. Tão próximo que não pensava direito, o olhar dela enchia-me de tesão que mal conseguia controlar. Instantaneamente ela agarrou a outra mulher e encostou-a na parede, abriu-lhe as pernas e por baixo das suas cuecas tocou-lhe. Não acreditava no que estava a ver. Perplexo e deliciado, faminto e cego, sem saber distinguir se aquilo era fantasia ou real, a salivar e com os meus desejos primários a transbordar por cada poro da minha pele. A outra agarrou os seios da vizinha de tal forma que a mesma não controlou o gemido. Pouco depois perguntou:

– Continuamos?

Acenei afirmativamente. Ambas sorriram, elas estavam evidentemente a divertir-se. A outra pegou na mão da vizinha e empurrou-a para a casa da mesma. Segundos depois levei com a porta na cara. O que me fez gelar. Ouvi os seu risos por trás daquela porta seguidos de um silêncio ocupado pelos seus lábios. O pecado iria continuar mas dentro de quatro paredes e eu em ponto de ebulição e sem raciocínio queria assistir. Lembrei-me que ainda poderia assistir. Quase ia caindo escadas abaixo quando notei que estava sem força nas pernas, tremia bastante. Desci o mais rápido que pude. Entrei no meu prédio e subi até à minha casa, entrei e  nem fechei a porta. Chego à janela e tento ver aquele encontro erótico mas nada… Desta vez a vizinha tinha tudo fechado. Um frio ocupou-se de mim, e o desejo sucumbiu rapidamente. Mais uma vez, ela apanhou-me. O que pretende ela? Convida-me mentalmente para entrar mas tem sempre a casa cheia.

© 100 Modos #69Letras 2016

A Vizinha da frente 2:

A Vizinha da frente 2

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