Um dia sem querer

| M18 | Maiores 18 |

 

Querer é poder, eu queria muita coisa que não tenho, a vida estranhamente é assim.

Um dia não queria nada, e por nada esperei nesse dia, o dia começou cedo, levantei de madrugada para ir trabalhar, e quando sai da cama, tive a primeira sensação estranha no meu corpo, como se me sentisse vazio, tomei banho, o pequeno almoço, por fim, lá me vesti, e a maldita sensação continuava, como habitualmente apanhei a primeira carruagem do metro que saia da estação pelas seis e trinta e um, sentado no mesmo sitio de sempre, acompanhado pelas mesmas pessoas de sempre, geralmente leio um livro, não tomo atenção nas pessoas que me rodeiam, ligo o leitor de cassetes, headphones nos ouvidos e entrego a mente a mais umas folhas do livro, livro esse que me custou retomar a leitura, continuava a mesma sensação de vazio.

Quando mudava de linha para apanhar o metro até perto do meu trabalho, cruzei-me com uma mulher, deveria andar pelos trintas, bonita, tinha uns olhos brutais, uns ossos de face lindo, uma bela silhueta, apesar de tudo, continuei a não ligar, devido ao meu vazio, mesmo quando ela me interpelou pedindo ajuda, o que acedi, e levei ela comigo, íamos os dois para a mesma linha, lá chegados, ficou junto de mim, tinha o livro na mão e sinceramente perdi a vontade de o ler, entrei na carruagem em direcção cais do sodré, e ela sempre atrás de mim, acompanhou-me até ao fim da viagem, e quando lá chegados, pediu-me novamente ajuda, para a ajudar a chegar ao comboio, mais uma vez, sem grande vontade, lá a encaminhei, e fui com ela, apanhei o mesmo comboio, apesar de sair na estação seguinte, e ela seguiu a sua viagem.

Cheguei ao trabalho e quando mudava de roupa, caiu um papel do bolso, não me recordava de ter metido lá o papel, e abri o mesmo, escrito nele, estava escrito que aparentava estar triste, e um homem bonito não deveria ter tristezas, e trazia um convite, para esperar na mesma paragem por ela ao fim do dia, pois ela queria saber a razão da minha tristeza.

O meu dia continuou como começou, vazio, sentia um aperto no estômago, nem mesmo quando devorei comida me senti satisfeito, mas assim passou o dia, no fim do dia, ainda peguei no papel, olhei para a hora que ela tinha escrito no papel, e pensei, para os meus botões, deves estar a brincar comigo, nunca mais a vês, mas quando cheguei à estação, algo me fez ficar ali parado sem entrar no comboio, esperei por ela, mesmo não tendo vontade de o fazer.

Perto da hora combinada, ela de facto apareceu, trazia uma roupa diferente, mesmos olhos, mesmos ossos da face, reconheci ela, e ela apresentou-se, disse o seu nome, e ainda assim não me fez sorrir, pegou-me no braço e desafiou-me a um café, ali perto, e lá fomos. Ficamos na esplanada, ela falou sobre ela, sobre o seu trabalho, que estava em Lisboa à dias e não conhecia ninguém, que todos eram carrancudos com ela, e apesar do meu ar mal disposto, tinha sido o primeiro a ajudar ela, e portanto ela sentiu-se na vontade de retribuir, e depois perguntou-me o que tinha e acabei por explicar o vazio, o não ter expectativas para aquele dia, que era só mesmo desde manhã que me sentia assim, e não percebia o porquê, e não sei que raio passou pela cabeça dela, e beijou-me assim do nada, deu-me um forte beijo nos lábios, e eu não percebi bem a razão, mas não fugi, fiquei, beijei, e o vazio estranhamente começou a desaparecer, quando afastou a face de mim, perguntei o que tinha sido aquilo, e ela apenas me respondeu, sem expectativas, não esperar nada de especial.

Saímos do café, e fomos para o pequeno jardim de santos, estivemos lá sentados na conversa, nem demos pelo tempo passar, e tanto tempo passou que só demos por isso, quando os estômago pediram por comida, e nessa altura, estava indeciso no que fazer, aquele pedaço estava a saber-me bem, e ela lá me convidou para ir jantar com ela, ela tinha uma casa em paço de arcos, e ficava mais perto que ir para qualquer lado, e sem estranhar, lá fomos os dois, apanhamos o comboio e passados vinte minutos estávamos na porta da casa dela. Quando entramos, deu para reparar perfeitamente que ela estava cá à pouco tempo, muitas caixas espalhadas pela casa, sem quase nada para sentar, nada de televisão, nem sofás, nada, apenas caixas de cartão que ela ainda não tinha tido a coragem de abrir, preferia ir à descoberta de Lisboa, e deixou as coisas para depois.

O jantar, foi pizza, havia uma telepizza quase em frente à casa dela, e fomos buscar uma, com sumos, e em casa dela comemos a mesma, brincamos com a situação estranha, depois do jantar, senti-me obrigado a ir embora, tinha perto de duas horas de viagem de retorno, e ela pediu-me para não ir, e isso foi estranho, pensei, pensei, e bom, que se lixe, fiquei.

Não pensei bem onde iria dormir, pois de manhã recomeçava o trabalho, e não havia sitio para dormir, estranhamente ela encaminhou-me para o “quarto”, um colchão no chão, roupa espalhada por todo o lado, caixas semi abertas e outras fechadas, um perfeito caos, o colchão tinha lençóis e um edredon, já não era mau, ela convidou-me a dormir com ela, no mesmo colchão, mas frisou bem o facto de dormir com ela, e eu que não esperava por nada, quer dizer, até esperava, mas pronto, adiante, ela deitou-se, e eu fui para a varanda esfumaçar o ultimo cigarro da noite, fumei o cigarro e voltei para dentro, deitei por cima do edredon, e tentei descansar.

Deve ter passado uma hora e acordo estranho, sentia algo no meu corpo, senti movimento, senti calor, senti tesão, estava bastante duro, e ela estava a fazer um fellatio, e com uma valente mestria, estava como que a explodir, nem resisti ao que me estava a acontecer, ela continuou com os movimentos subindo e descendo, dando-me prazer louco, quando estava prestes a explodir, senti-me obrigado a retribuir, e puxei-a para mim, dei-lhe um valente beijo, os lábios, a língua dela, esquiva e macia, depois o pescoço, desci até aos mamilos, beijei eles, trinquei ao de leve, ficaram no ponto, continuei a descer, sem saber muito bem o que encontrar, nada de pelos, e dediquei-me ao fruto proibido com um intenso cunillingus, brinquei com a língua, com os dedos, abanei ela, agitei ela, e deixei ela em ponto rebuçado, e ainda assim só parei quando ela solta uns tremendos gemidos quando atinge o orgasmo.

Ela ainda assim, apesar do orgasmo, afasta-me e salta que nem mola para cima de mim, ainda duro se senta em mim, e se contorce violentamente, como se desejasse o meu orgasmo rápido, segurei nas nádegas dela, pondo fim à intenção dela, e deixei ela movimentar-se lentamente, deixando o tesão aumentar lentamente, e ela cavalgou-me lentamente, o gozo da tesão foi louco, quando quis mais, tirei ela de cima de mim, e deitei ela na cama, de barriga para baixo, juntei as pernas dela e meti-me em cima dela, penetrei forte e profundamente, ela soltou o tal gemido que estava preso, movimentei-me rápido dentro dela e sei que tanto ela como eu não nos contivemos muito mais tempo, até atingirmos os dois um violento orgasmo, acompanhado de estridentes gemidos de gozo.

O vazio matinal tinha desaparecido completamente, e o trabalho do dia seguinte, bom, as faltas servem para alguma razão, quanto ao resto da noite, não foi passada a dormir.

 

NMauFeitio #69Letras

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