Perguntas que tornam estes silêncios barulhentos

Ainda bem que existem os silêncios, ajudam-me a lembrar de tudo o que quero realizar e a focar-me nos caminhos que devo percorrer para dos meus sonhos não me distanciar.

Os silêncios são como as estrelas guia, um momento de clareza para o inconsciente, aquele guia espiritual cheio de notas mentais que nos lembra daquilo que não podemos esquecer e até do que precisamos deixar para trás.

Lá fora os pneus a deslizar no asfalto molhado lembram-me que apesar de estar parada, a vida continua a circular. O que me trás alguma inquietação. Estou a recomeçar e tenho de apanhar o embalo para não ficar para trás. Notas mentais sobrepõem-se no meu pensamento e pergunto à chuva se irei conseguir… não há resposta, resto eu e esta crença interior que me diz que sim e passados 5 minutos que não. É… este crer não crer que vive em mim é bipolar. Ora acredito, ora me desacredito…

Porquê eu ou porque não eu?

Ou o que tenho a mais para conseguir, ou o que me falta para concretizar?

Perguntas que tornam estes silêncios barulhentos… sinto-me cansada por ter de me estar sempre mas sempre a adaptar e a reinventar. Gostava de por uma noite poder dormir e se a meio dela acordasse, poder ficar simplesmente a escutar o respirar do corpo que se deita a meu lado, sem preocupações, medos e ambições. Parar. Despreocupar-me. Estar livre desta pressão gerada apenas por mim e esta mania de fazer e ser mais.

Pela manhã arrasto-me pelo corredor de pijama e pezinhos aconchegados até à cozinha e desde que ligo a máquina do café até me servir consigo a minha paz. Este ritual sabe-me a esperança é como um aconchego que me diz bem baixinho, que tudo irá correr bem…

Vizinha #69Letras

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