Para te deixar voar

Jamais esquecerei o dia que te disse adeus. Que te deixei voar em liberdade.

Observei-te em silêncio enquanto desistias da vida. Revoltava-me. Rasgava meu coração com a raiva que sentia. Abria-me as velhas feridas de guerra no meu espirito.
Sentia-me injustiçada! Como te atrevias deixares-me assim desamparada? És minha mãe, deves me obrigações! Como estava enganada…
Agarras no único direito à vida que tinhas e perante os meus olhos deitas tudo ao chão…
Estavas cansada, esgotada e a vida já não era o doce amargo onde ainda te rias.
Desististe.
Meu silêncio quebrou-se para te implorar, por favor mãe! Luta!
Tarde demais. O destino ou o Karma estavam dispostos a levar-te deste inferno para te dar finalmente a paz que tanto ansiavas. A mesma paz que eu tão egoistamente nunca vi que já tinhas merecido há muito.
Eis que chegou o momento, tu já estavas preparada mas nós não.
Um ultimo sorriso que para sempre ficará na minha memória. E abracei-te. Como se invertêssemos os papéis. Eras tu agora quem se tranquilizava num colo sereno.
Numa despedida mais que sentida perdoei. Pedi perdão. Tréguas duma vida em comum conturbada.
Nada era mais importante que aquele momento em que nos entregávamos a uma despedida que eu jamais queria mas que nada poderia fazer para impedir.
Só tinha que te deixar ir. Tinha que aceitar.
Tarefa difícil deixar-te ir nessa tua liberdade que tanto me aprisionava o coração de filha.
Ate já mamã. Olha por nós lá de cima. Voa em liberdade em direção ao teu pedestal que nem uma rainha.

©Miss Steel 69Letras 2017 

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