Me, myself and I… (Vulgo, conversas comigo mesma)

É engraçado… Estou tão habituada a ser a força, a ser quem rema quando todos já desistiram que me esqueci de como é ser cuidada… Saúdo a inocência que julgava perdida atrás desta máscara em que todos acreditam e junto-me a ela… Vá, hoje somos só nós, conta-me como é viver sufocada debaixo da crosta que me endureceu a pele suave e rosada que sorria ao mundo? Recorda-me por breves instantes como era ser eu, que acreditava…
Ela respondeu… Hoje ela respondeu… Ainda estou aqui! Sou o sorriso do qual não te apercebes, sou o brilho que só tu não vês, sou as lágrimas que não deixas correr… Eu preciso de ti como tu de mim… Podemos viver juntas…
Não acredito… Não quero… Eu sei porque é que a camada que te separa do mundo ficou tão grossa… Mas conta-me mais, faz-me acreditar…
Sou a parte de ti que ainda sente, que teimas em afogar, que envolves na névoa do escândalo e que te perturba o acordar quando tudo o resto passou e voltas a olhar para nós de cara lavada… Mas continua a levantar-te… Isso mantém-me viva, sabes? Porque sou também a esperança de que um dia te livras desse peso e nos deixas ser uma só outra vez…
Posso, posso mesmo adormecer contigo hoje e amanhã caminhar a teu lado? Prometes que vou ter que tapar mais nenhum desses buracos?!
Não… Mas prometo preencher todas as falhas por onde vislumbro a luz que emana por trás do breu a que te obrigaste…
Não! Sou eu quem bate o pé e não deixo que nos pisem!… E eu a vontade de gritar que parem de tentar… Eu sou a fúria que se sacia sem sentir! Eu sou quem pede os beijos, o toque no corpo, o calor que sabes que sinto cada vez que o deixas passar…
Então anda… Dá-me a mão, deixa-me dormir no teu regaço… Nem que seja só hoje…
Estás a ver? Essa sou eu…

© Vicky M *.* 2016 #69letras

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