Fazes-me acordar mas o que eu quero é mesmo dormir

Sempre à mesma hora, acordo. Sinto a cama fria. Ausente de uma presença. Um vazio me invade. A cabeça dispara com pensamentos erróneos. Tremo. Não me conformo. Procuro o telemóvel e a primeira acção é certificar-me que não recebi a SMS.

A tal SMS.

Alguns minutos depois, ao cair na realidade, chego sempre à mesma conclusão, à do costume. Sinto falta da presença e não da tua presença. É a saudade dos teus movimentos na minha cama, de um cheiro intimo, único, quente, que me aguça o apetite. Sinto sede, bebo água. Não. Percebo que não matei sede nenhuma. Não esta sede. Pego novamente no telemóvel. Poder-te-ia chamar. Tu virias. Mas não quero que venhas. Não neste contexto. Sinto-me inquieto, não consigo dormir. Procuro enganar a sede. Pensando em ti, tocando em mim e não satisfaz. Uma, duas, três vezes. Que sede. Neste momento não penso correctamente e já preparo uma mensagem para te enviar. Tu virás, eu sei. Quero que aqueças esta cama, que deixes o teu perfume, que enchas o quarto com os teus gemidos, que enfeites o chão com a tua roupa… Que me dês o que beber.

Agora é tarde. Já enviei a mensagem. Mal controlo a respiração. Quero que venhas e vás rápido.

Fazes-me acordar mas o que eu quero é mesmo dormir.

© 100 Modos #69Letras 2016

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