És viciante

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Vontade estranha esta que me devassa brutalmente. Inquieto fico de boca seca, vontade animalesca, o suor invade-me as mãos. Penso na tua carne, a necessidade de alimento é grotesca, medonha e infinita. Tento encontrar-te mas sinto-me acorrentado a este desejo sórdido, travado, impedido. Sofro.

Desejo-te, preciso-te aqui, agora, já, imediatamente. Constantemente invadido por este fogo que queima e me despe a tesão. Percorro a cama, sem sentir um corpo, o teu, insatisfeito, toco-me. No pensamento tento-te, cobiço-te, procuro-te, alivio-me. A fome ameniza mas a sede persiste. Paro, respiro e este ar já não me serve. Preciso do teu. A tua essência, o teu mexer, o teu cheiro, a tua fome. Estou aqui à tua espera. Aquece-me esta cama fria, partilhar fogos descontrolados, arde comigo. Controla-me esta fome.

Fogo, que alimento viciante és tu…

© 100 Modos #69Letras 2016

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