E tive que a deixar partir

Será isto normal? Estarei a bater mal? Estarei a ser incorrecto?
Ou será que me estou a iludir e afinal gosto dela e o meu orgulho sobrepõe-se ao meu pensamento? Não sei porque não paro de pensar nela…

Já se passaram alguns anos, o sentimento deveria ter desaparecido. Sinto falta dela, da sua presença, do seu cheiro, do seu sorriso, do seu toque, dormir ao lado dela, de fazer amor com ela, dela. Sinto falta daquele beijo.

Esse beijo…

Nunca mais vivi esse momento, apenas uma recordação. Não existiu mais nenhum beijo igual. Lembro-me como se fosse hoje. Já tínhamos uns copos a mais mas nunca estivemos tão seguros do que queríamos naquele momento. As bocas uniram-se. Foi uma avalanche de sentimentos. Raiva, amor, desejo mas ao mesmo tempo esqueci tudo que passou, o que nos levou a estar ali naquele momento, o mal que me tinhas feito. Sei que estávamos na rua em plena madrugada e o beijo foi tão carnal, tão sentido que senti a sua respiração descontrolada. Eu naquele momento queria-a, deseja-a e ela o mesmo.

Quando o beijo terminou eu chorava e ela limpava-me as lágrimas com aquele toque que só ela tinha.

Ficámos a olhar um para o outro, parecia que víamos através dos olhos. Chorei. Chorei porque sabia que nunca mais ia sentir algo semelhante.

E tive que a deixar partir.

Estávamos num barco com destinos diferentes e já bastava de estarmos parados em alto mar. Lembro-me de a deixar na paragem do autocarro, de a beijar a testa e pedir que fosse feliz. Gostava que tivesse sido feliz comigo. Talvez por isso não pare de pensar nela.

Apesar de tudo, sinto-me bem. Talvez seja apenas nostalgia ou uma grande e boa memória.

Quem sabe um dia nos cruzemos novamente, se assim for, que sejam os nossos lábios.

© 100 Modos #69Letras 2016

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