Deixa-me ir…

Mas até lá..  deixa-me estar. Deixa-me a tentar recuperar sozinha a paz que um dia saboreei contigo. As feridas por sarar ainda se inflamam sob o álcool do teu perfume e é escusado sublinhar na minha memória o quanto o meu mundo encolheu sem a tua presença. Essa insistência em me fazeres testemunhar a tua feliz existência em dimensões abstractas à minha é desnecessária, para não dizer cruel.

Deixa-me. Por favor, deixa-me.

Até que eu recupere das promessas quebradas que ainda me assombram os lençóis. Ou pelo menos só até que eu volte a conceder crença à magia, só até que um. sorriso me volte a trazer calor ao invés de me deixar este sabor amargo a vazio a que tu me apresentaste. Deixa-me sossegada no  desassossego de não te ter, não me recordes da tua voz por palavras escritas, do teu cheiro por fotografia.. Deixa-me no esquecimento de te esquecer, ajuda-me a calar as tuas memórias. Não me queiras falar quando o que ainda quero é beijar-te. Dá-me a distância a que me obrigaste. Não vamos fingir que está tudo bem, que é bom ver-te sem te tocar ou  abraçar-te sem que me saboreies.. Não minimizes a destruição que aqui deixaste, lá porque me mantenho de pé não significa que seja indestrutível. Sou humana como tu, e se não me deixas eu quebro de vez e lembro-me que te quero tanto quanto quero cerejas ao pequeno almoço.. Faz-me desaparecer de vez, papi. Esquece-te de mim  para que eu possa esquecer que te amo.

~Trollishka #69letras

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