Condenado

Há muito me entreguei à justiça de mim próprio, pago uma pena sem julgamento que se contabiliza há hora,.
Após anos de conduta duvidosa, de itinerários compostos de camas alheias preenchidas por mulheres diversas, de belezas únicas, apetites variados, situações civis de vários tipos.
Nunca fui de me deter com pormenores fúteis, se me despertava o meu lado carnívoro, tinha que me saciar e fazia-o sem contemplações. Sem dó nem piedade.
Sentir o prazer de alguém, foi graças a ti, à tua capacidade de seduzir.
Dantes fodia com mestria apelando aos desejos escondidos em cada fêmea. Buscava os meus instintos carnais mais recônditos, algo que sempre me orgulhei, até te conhecer.
Esse teu olhar negro condenou-me desde o primeiro dia que me olhou a alma e a roubou. Apesar da plena noção da impossibilidade saudável desta relação, não me importo.
Após provar os teus lábios carnudos, provocadores, esfomeados, nenhuma outra boca me satisfaz.
Depois de sentir essa pele morena efervescente na minha, os teus mamilos negros endurecidos no meu peito, o maravilhoso inferno que é estar no meio das tuas pernas. Em todos os teus orifícios sem regras ou restrições, só imerso nas tuas vontades, entregue à tua devassidão, à tua luxuriosa forma de entrega.
Depois de ti, tudo mudou.
Por mais que busque alimento, no imediato da excitação da caça, vem a desilusão.
Afinal não és tu. És única e nessa singularidade condenas-me a esperar.
Na verdade, condeno-me a mim mesmo, porque apesar da impossibilidade da nossa situação sei que cumprimos pena juntos.
Afinal és tão minha quanto eu sou teu…
Bastardo #69Letras

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