69 Minutos no Elevador (Parte 3)

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100 Modos

Cada vez mais sentia o seu apertar. Estava tensa. Não se ouvia nada nem ninguém. Ninguém sabia que estávamos ali presos. E eu preso nos braços dela. Nem se ouvia a respiração dela. Estava congelada. As cordas que sustentavam o elevador ainda vibravam fazendo-se sentir no mesmo.

– Está tudo bem Kitty. Calma. – Reconfortei. Ou tentei.

Ela não disse absolutamente nada. Da forma como me agarrava eu conseguia ver-lhe o peito, foi então que algo me fez despertar a atenção. Não tinha notado anteriormente mas ela estava sem soutien e não se foi pela adrenalina do medo ou se do frio mas estava com os peitos reflectidos de excitação. Era como se fossem íman para os meus olhos. Não conseguia parar de olhar. Toda ela era perfeita, mas aquele peito era hipnotizante e eu cada vez mais começava a sentir-me depravado e inconveniente face à situação. No entanto não o podia negar. Estava a começar a ficar inquieto.

Não me largou, sem querer exagerar, uns 10 minutos. Estes 10 minutos pareceram horas. Eu começava a suar devido ao calor que começava a fazer-se sentir complementado com a falta de ar. Agora já era eu que a abraçava, senti que o tinha que fazer. Talvez assim a tranquilizasse.

Já sentia a sua respiração a voltar ao normal. Não sei porque o fiz mas naquele instante o meu reflexo foi dar-lhe um beijo na cabeça e comentei.

– Estou aqui, está tudo bem, não estás sozinha…

Ouviu-se um ruído qualquer, não parecia ser do elevador mas fez com que ela cravasse as suas unhas na minha pele, nas costas. Como poderiam umas mãos tão pequenas apertar com tanta força? Gemi baixo de dor. Aquilo realmente doeu mas para manter a postura insisti eu não demonstrar fraqueza. Não foram precisos muitos segundos para ela perceber logo o que tinha feito e com isso afastou-se uns centímetros meio assustada e pediu desculpa.

– Não faz m… – Senti um gelar na minha pele. Arrepiou-me completamente. Uma junção de arrepio de frio e de excitação correu a minha espinha inteira. Murmurei qualquer coisa como “não faças isso” mas nem deu para perceber. As mãos dela estavam agora directamente em contacto com as minhas costas por debaixo da minha camisa. Nem tinha reparado na velocidades com que o fizera. Aquela prontidão, aquela maneira dela, aquele toque… Estavam claramente a deixar-me excitado.

Miss Kitty

Ele, cada vez mais agarrado a mim, deve ter sentido o meu embaraço e a minha tensão e depositou-me um beijo terno na testa para me serenar, foi quando se ouviu um ruído imperceptível que voltou a assustar-me, tendo-me agarrado a ele com unhas e dentes, bem, mais com unhas pois a força foi tanta que o deve ter deixado marcado.

Instintivamente e sem pensar, puxo-lhe a camisa para fora das calças e ponho a minha mão em contacto com as suas costas para me certificar que estava bem.

Foi o pior que podia ter feito. Ao fazê-lo fui assaltada por uma reacção inesperada, como se fosse um choque eléctrico, que despertou todos os meus sentidos e me deixou completamente excitada. Quase não me conheço, eu que gosto de passar despercebida e não me meter com ninguém estou presa num elevador, agarrada a um estranho, a experimentar sensações nunca antes vividas, e a ter pensamentos que fazem corar o Diabo.

De repente mais um solavanco, abraço-o mais forte, agora tendo a certeza que o marquei com as unhas, e fico virada de frente para ele. Quem me parece estar em pânico é ele agora, e sinto o porquê, de olhos incrédulos e fixos em mim e o seu corpo colado ao meu, sinto a sua excitação e o calor que o percorre. É inevitável não gostar deste pedaço de mau caminho, e deste olhar que me despe a Alma, fixo em mim, que sem ser preciso dizer nada diz tudo, e beija-me enquanto o vou acariciando nas costas doridas.

E que beijo, quente, doce, arrebatador e urgente, quase me tirou o fôlego e fez perder os sentidos, nunca tinha sentido nada igual e a partir daqui não havia volta a dar, era inevitável a nossa entrega. 

(Continua…)

© 100 Modos #69Letras 2016
© Miss Kitty #69Letras 2016

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