69 Minutos no Elevador (Parte 2)

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100 Modos

– Boa tarde! – Respondi ao cumprimento dela. Naquele instante toda a minha má disposição gerada pelos contratempos tinha desaparecido. Aliás já nem me recordava. Jurava que a tinha visto corar ao cumprimenta-la mas logo de seguida aninhou-se num dos cantos do elevador. Talvez não gostasse de elevadores. Ou de mim. Talvez a intimidasse.

Nisto, segundos depois do elevador começar a descer a estrutura começou a vibrar. Subitamente o elevador pára com força fazendo um ruído ensurdecedor, as luzes apagam e ouço um grito pequeno vindo detrás de mim. Olha que bonito, pensei. Como se já não bastasse isto tudo agora estou preso num elevador. Quase instantaneamente as luzes de segurança foram accionadas. As luzes eram fracas e de tom vermelho. Apesar da pouca iluminação que geravam conseguia ver tudo ali dentro. Foi então que antes de procurar o alarme ou o contacto de emergência notei numa respiração descontrolada e assustada.

Olho para trás e lá estava ela de braços cruzados e escondida num dos cantos do elevador a olhar fixamente para o mostrador dos andares. Ela não tirava os olhos de lá. Chamei por ela. Sem efeito. Voltei a chamar e nada. Aproximei-me dela e toquei-lhe do braço. Os olhos dela foram automaticamente conduzidos para os meus, mesmo com aquela quase escuridão.

– A vizinha está bem? – Perguntei preocupado.

– Kitty… – Respondeu.

– Como? – Questionei sem perceber o que me tinha dito.

– Chame-me Kitty, vizinha não por favor. – Disse com a voz tremida.

– Claro, desculpe, não fazia ideia. Mas como está? Tenha calma ok? Está tudo bem! Eu estou aqui e não tarda o administrador do prédio vem aqui ajudar. – Tentei acalmar a situação.

– Sim estou bem, acho eu. Eu é que não gosto muito de espaços fechados, muito menos de elevadores… E não gosto também da ideia do administrador do prédio estar de férias… – Embora a situação não estivesse melhor notei pela voz dela que estava mais calma. Talvez por estar a falar.

– Ah boa… Então ele está de férias… – Comentei sarcasticamente. – Bom, vou tentar ligar para a assistência. – Notei que não tinha rede. – Oh bolas… Nada nos está a ajudar… Logo hoje que…

Não tinha sequer acabado a frase e o elevador estremeceu novamente. Desta vez ela soltou um grito de pânico e agarrou-me. Abraçou-me. Aquele toque… Aquele cheiro… O seu cabelo… A sua cabeça dava-me pelo pescoço então tinha-a aninhada nos meus braços, assim sem mais nem menos…

Miss Kitty

Ele deve ter reparado no meu desconforto e só penso para mim “Será que foi assim tão óbvio, é preciso azar para conhecer alguém que mexe comigo assim, nestas circunstâncias e eu prestes a arrancar os cabelos…”.

Prontamente apressa-se a tentar-me acalmar, digo-lhe o meu nome e trocamos algumas palavras em que ele me conforta, tentando arranjar soluções, quando fala do administrador. É aí que o me pânico se instala ao me lembrar que o mesmo me tinha dito que ia de férias, coisa que me apresso a dizer-lhe. Ora isso a juntar ao telemóvel sem rede e eu sem o meu dá uma mistura muito má, estava a pontos de desatar a chorar.

De repente o elevador dá um solavanco e gritei.

O pânico foi tanto que, instintivamente, me agarrei a ele, precisava de me sentir protegida. Aninhei-me nos seus braços, a minha cabeça ficava ao nível do seu pescoço e conseguia sentir o perfume adocicado a especiarias. Reparei que estava tenso, não sei se seria do meu toque, por ter invadido o seu espaço, da surpresa ou algo em mim que eventualmente também mexesse com ele, talvez o aroma a jasmim.

Pensamentos à parte e verdadeiramente em pânico, abraço-me a ele com mais força e agradeço a todos os anjinhos de uma maneira muito minha por não estar sozinha, mas faço-o alto sem me aperceber o que lhe arranca uma gargalhada brutal, raio do homem que para além do olhar tem um sorriso que derrete a Alma, e me faz corar pela situação ridícula em que estou. Sinto o calor do corpo dele junto ao meu e isso começa a despertar uma excitação em mim fora do comum que se torna evidente.

Mais uma vez sou assaltada por outro pensamento “Bolas que nem o soutien vesti, era só para ir ao carro…” quando reparei que ele estava a olhar para o meu peito, enfeitiçado pela minha visível excitação, e aperta-me mais contra ele sem desviar o olhar.

(Continua…)

© 100 Modos #69Letras 2016
© Miss Kitty #69Letras 2016

69 Minutos no Elevador (Parte 3)

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