Saborosamente doloroso…

Tinhas razão quando disseste que não sabia quem eras… tu bem me avisaste que o sorriso quase juvenil e a boa disposição eram uma cena social… Claro que como boa exagerada que sou pensei que estarias a fazer o mesmo com o intuito de causar algum tipo de temor…

Tu leste-me sucinto e certeiro ainda antes que me olhasses nos olhos e isso já foi perturbador. Mas destemida como me reconheces, avançaste! Já mil ideias pairaram na minha mente entretanto, desde o café, desde as sugestões feitas no ar e não sei bem o que esperar excepto o pagamento das dívidas feitas nos entretantos, entre palavras e vontades, sorrisos e perversões.

Apresento-me conforme solicitado e sinto que causei efeito. O toque da tua mão revela-me o desejo crescente em ti e não sei se não começo a temer onde esse desejo nos vai levar… A viagem foi curta mas soube a eternidade, crescia em mim a vontade de te provar, de ser posta à prova… Para alguém que não transpira, as minhas mãos estavam inundadas e tremiam bem acima do normal…

A porta fecha-se à nossa frente, contornas o carro e prendes a minha atenção ali, segura pelo cabelo selvagem e já ansiosa por um beijo que vi que não chegaria… não ali, não naquele tempo…

Vi o olhar… mudou… Receio misturado com um tipo de excitação que desconheço tomam conta do meu corpo. Olhos no chão! Ordenas com a voz alterada mas firme. Não estou de todo habituada a baixar a cabeça, aliás sempre me obriguei a levantá-la nos momentos mais difíceis, mas algo me levou a não desafiar!

Todo o caminho para o quarto se transformou numa grande nuvem na minha cabeça, bastante compatível com a luta interior a que o meu cérebro se permitiu naqueles minutos. Mãos, força, fuga, sorriso, medo, prazer, confiança…

Esta confusão mental culmina quando me tens nua, usando apenas as meias de liga, com o cabelo apanhado e os olhos que teimam em se desviar do chão. A partir daqui já não podia fugir, ia mesmo acontecer, ias vergar-me e eu ia deixar…

Estava de quatro conforme ordenaste sem fazer ideia de como me dá prazer essa exposição… Veio o primeiro açoite e eu soube que era só um aviso do que iria ser… Pediste que te lembrasse em quantos açoites se tinham traduzido o início do nosso jogo… 5, sussurrei, mas o tom na resposta fez-me elevar a voz e frisar que seriam 5 açoites em cada nádega… E começou! Veio esperada, certeira e com a força certa para me fazer querer mais e ao mesmo tempo desistir. Não sou de desistir e já aguentei pior sem ganir, não vou começar agora!

Tenho de contar!!! Ah, foda-se, já sabia, alguém me tinha dito que teria que contar! Entre a dor e a assimilação de toda a situação claro que nem me lembrei! Pela minha cabeça passavam imagens do meu rabo vermelho e da minha rata a começar a dar sinais de um prazer que desconheço e cresce em ondas compassadas…

Então vamos começar de novo… agora a contar como deve ser! Entre matemáticas confusas e um gozo tremendo que senti a cada açoite na tua voz, na tua mão, deixaste-me repousar para começar a tortura de prazer… Sentiste-me a humidade e atacaste… o estado de transe em que já me encontrava pediam a tua boca, e obrigaste-me a pedir por ela… e quando a senti… Agora sim Senhor!

Agora sinto a entrega, agora sei o epítome do prazer, estou completamente invadida pelo poder das sensações e quero mais, agora, aqui deitada ao teu lado num nirvana ninfomaníaco a querer mais… Um mais que anseio, um mais que me recusas, um mais que senti na ponta dos dedos que também queres…

Foi único, foi quente e sim… Perversamente, sabe bem ter alguém que me faz mal para a seguir me dá prazer…

#VickyM

#69letras

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