Diário das Quase Ferias – O jantar – Parte IV

TEXTO EROTICO M|18 ? ? ?? ? ?
Dia 2
Depois de relaxar durante um pouco, certifiquei-me que R. ainda dormia.
Olhei para as horas e comecei a planificação mental da noite, a minha forma de lidar com o inesperado. Preparei o fato, instintivamente coloquei a arma de serviço, algo me dizia que a noite se ia complicar, pressentimentos aos quais a experiência me ensinou a não ignorar.
Depois de pronto bato à porta, está trancada estranhamente. Preparo-me para a derrubar quando oiço.
– Estou bem, estou a acabar de me arranjar, espera-me lá em baixo por favor!
Assenti e desci, volvidos alguns longos minutos percebo a razão do pedido e da espera, aquele corpo maravilhoso num vestido preto de organza e seda,de alças sem costas,logo sem soutien, aqueles mamilos endurecidos pelo contraste de temperaturas. Ao descer as escada vislumbram-se as belíssimas pernas pela abertura do vestido quase da cintura aos pés acabando nuns magistrais saltos agulha de 14cm. Até o camareiro tropeçou no tapete da entrada onde o tive que segurar ao mirar tal ilusão de beleza.
Abri-lhe a porta, acompanhei-a ao carro, o seu perfume desconcentra-me mas não posso demonstrar- Abro a porta do carro, auxílio que se sente. Fecho. Entro no meu lugar e arranco, já estávamos em cima da hora. Diz-me:
– Gostaste, estou apresentável? Na verdade espero que o Sr. Director não sofra do coração, é que o ataque cardíaco é quase garantido! Solta uma gargalhada genuína e por momentos a sua face ruboriza-se.
– E tu gostas?
– Meu corpo já te respondeu, ou pensas que não te vi a galar entre as minhas pernas?
Morde o lábio de forma lasciva e vitoriosa como uma criança que acabou de fazer uma maldade e sabe que se vai safar.
Chegamos ao restaurante, acompanho-a a mesa previamente combinada por mim, o sr. Director e respectiva esposa já nos esperavam. Como eu pensava o Sr. ia perdendo o queixo no chão, algo que a esposa resolveu rapidamente com um safanão. Controlámos ambos o sorriso, puxei-lhe a cadeira e permiti que se sentasse.
Após os cumprimentos da praxe apresentou-me, fui amavelmente convidado a fazer companhia, para raiva de R.
Declinei educadamente, não era viável para o meu trabalho e o meu sexto sentido ainda não tinha parado de me dar sinais, costas para a parede que me permitia observar toda a sala. Água com gás para disfarçar a minha postura na sala, vejo pelos sorrisos que a reunião corre bem. Na mesa ao lado, o casal nem por isso, desde que chegaram que sinto a tensão. A senhora na casa dos 30, morena parecia-me estranhamente familiar, o homem cujo os berros já importunava toda a gente à sua volta, postura de macho latino, camisa desapertada até ao umbigo e a virar copos de vinho como quem bebe água. A linguagem corporal dizia -me que a qualquer momento iria ocorrer algo de violento, pareço bruxo, dá com os punhos na mesa e antes que acerte na mulher. A minha mão prende-lhe o polegar e começo a torce-lo, algo muito doloroso posso garantir, tenta revidar. Não permito, chapada mão aberta na cana do nariz e sangue garantido com dores incontroláveis.
– Na minha frente você não toca em mulher nenhuma seja por que motivo for, agora vamos , rua!!
– É minha mulher, ainda não dei o divórcio, quem és tu para te meteres?
– Neste momento sou o gajo com arma.
Afasto o casaco e mostro-a.
– Portanto se preferires em vez de ex-marido, podes facilitar e deixá-la viúva, que te parece?
-Ahhhh, vou ao hospital?
– É uma boa ideia, e olha, vou deixar o meu contacto.
Tiro-lhe uma fotografia do telemóvel com a senhora.
– Já tenho a tua cara, se algo de mal lhe acontecer, já sabes! Vou à tua procura e vais precisar de mais que uns curativos, adeus.
Voltei à sala, pedi desculpa ao chefe de sala pelo ocorrido. Agradeceu-me imenso por ele e pelos clientes, alguns aplaudiram a atitude. Deixou-me com sentido de ter feito o mais correcto, qual o meu espanto quando vejo R., consolando a senhora.
O director e esposa já se tinham retirado, com o guardanapo limpava-lhe as lágrimas.
– Então como se sente, precisa de uma água, alguma coisa?
Este rosto é-me tão familiar porque, interrogava-me para comigo.
– Obrigado, não tenho forma de lhe agradecer o que fez por mim, aquele monstro!!
– Tão depressa não a incomoda, dei-lhe o susto da vida dele, já pode respirar fundo.
– Bastardo leva-nos ao Hotel. Vamos aproveitar o bar e falar um pouco, tendo em conta a minha situação posso ajudá-la e compreendê-la.
-Ok. Mas a a senhora? Mora aqui perto?
– Não me trates por senhora, sou a G. E já o vi em todo o seu esplendor!!
Agora quem corou fui eu. A morena da varanda de baixo, por isso me era tão familiar.
– Já a reconheceste Bastardo? – Diz-me com um sorriso rasgado de malicia.
– Sim. Bem vamos?
Disse disfarçando o melhor que pude a surpresa.
Chegados ao bar do Hotel, os cocktails doces começaram a operar a sua magia, parecia que se conheciam há anos e eram as melhores amigas, que nada tinha acontecido de desagradável há horas atrás. Aproveitei o ambiente calmo e pedi:
– R., vou subir. Quero guardar a arma no cofre e pôr-me mais à vontade. Ficam bem as duas??
– Claro que sim. Não te preocupes, tomamos conta uma da outra.
Fecho a porta do quarto atrás de mim. Arrumo a arma no cofre, dispo-me e entro no chuveiro, retiro as nódoas sangue das minhas mãos enquanto penso nas ironias do destino. Saio do duche, toalha à volta da cintura, abro as janelas enormes de par a par, para absorver o ar da serra.
Acendo um cigarro e vejo o fumo desenhar abstracções na noite.
Sinto portas a bater ao lado. Já chegou. Pensei.
Dá-lhe tempo que hoje o dia foi repleto. Se eu sonhasse….
(Continua)
Bastardo #69Letras

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