O café estava marcado

| M18 | Maiores 18 |

O café estava marcado. Estava com medo. Esta imagem que tinha na cabeça deixava-me desamparado. Sexualmente desamparado. Sabia que algo nos unia. Uma força, um estado de espírito, uma tesão. Não procurava perceber, queria sentir. Foi um acaso estranho o que nos levou a falar. E hoje é o dia em que finalmente vamos cruzar os olhares. Quero sentir essa força, energia, calor, o desejo.

A caminho do café sei que esta ânsia, esta espera, me vai fatigar. Mas também sei que assim que te vir, tudo será ignorado. Porém sinto-me virgem. Virgem destes momentos. E sedento de momentos.

Apenas quero uma coisa. Beijar-te.

Mas…

Não será um mero beijo, será animalesco, devorador, intenso e ardente. O resto será reflexo do meu corpo. Ao tempo que este incêndio está activo, ao tempo que te desejo, que controlo esta fera acorrentada em salas de pensamentos perversos, pecaminosos, submissos, eróticos, horas, dias, meses, anos, uma vida, eternidade…

Não vou querer saber onde vamos estar, a vontade que tenho é superior ao meu pensamento. Pouco me importa quem ou quantos estarão no café. O momento irá rolar.

Sinto isso. E quando finalmente os meu lábios tocarem nos teus e sentir o seu calor igual às palavras que trocávamos eu vou agarrar-te… Vais-te sentir dominada… Completamente. Eu assim o desejo. Tenho muito para te contar muito para te sentir. Vou-te puxar para um recanto desse café. Vais-te sentir arrastada e excitada. As tuas pernas irão ficar descoordenadas.

A excitação será tanta que não as conseguirás manter fechadas. Nesse recanto e já escondidos vou te fazer implorar de desejo. Vou-te tocar por baixo da saia, vou meter os dedos, sentir a tua carne a ferver, húmida, a pingar e de seguida vou-te dar a provar. Quero que te saboreies. Vou-te abrir o apetite e puxar-te para baixo, ajoelhar-te. Quero que o tires e que o proves. Não, provar não, que o saboreies. Que sintas a tesão que me dás, que sintas o meu aroma. Até ao fundo. Vou-te garrar o cabelo e vou-te puxar para mim. Quero sentir que não entra mais. Quero sentir todo o calor da tua boca. Quero que o deixes a salivar… Quero que o mordas de leve, que o apertes, arranhes, quero sentir essa raiva, esse desejo, essa puta que há em ti.

A minha puta.

Quero que me deixes a segundos de explodir na tua boca. Quero mais. E mais. Vou-te levantar e vou querer lamber os teus seios.

Chega de imaginação, não quero mais ficar pelos “ses”.

Vou rasgar-te a blusa e não vais ter nada mais vestido, já sabia que virias assim. Sentirás as costas a encostar na parede e vou lamber o teu peito, morder, deixá-los tesos. De seguida vou morder o teu pescoço e enquanto o faço subo-te a saia… E toco-te. Vou-te sentir completamente alagada, a pulsar, quente, a ferver. Vais-me tentar agarrar o braço mas o esforço será anulado, coloco dos dedos em ti. Sentirei as tuas pernas a perder força devido ao teu louco desejo, notarei a tua respiração completamente descontrolada e calorosa. De seguida dar-te-ei a provar os teus sucos, a tua excitação, o teu sabor. E quando os meus dedos estiverem limpos, vou-te virar contra a parede, de peito para a parede. Vais sentir o relevo da parede a fazer pressão nos teus seios, será uma dor saborosa para ti. Levanto-te o resto que faltava da saia e meto-o todo em ti de uma vez só, abruptamente e de forma acelerada. Vou pedir que feches as pernas que o entales em ti, quero sentir o teu latejar, o teu calor, a tua carne. E assim me mantenho, comendo-te com vontade, fome, pressa…

O desejo deixa-me cego de sede. Quero explodir dentro de ti, que sintas o meu calor no teu ventre… Que me apertes nesse instante, agarres o pescoço, puxes o cabelo, que me chames nomes, que libertes toda essa emoção contida durante tempos infinitos.

Sairemos do café sem pagar, deslizaremos até ao carro e repetiremos. Depois na praia, depois na entrada da tua casa, cozinha, até que encontremos a cama. Quando acordar beberemos café…

Oh que Deja Vu… Vamos antes ao café.

© 100 Modos #69Letras 2016

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