Ultima vez

 

Outra noite incrível acaba como já se tornou hábito, nós os dois num abraço claustrofóbico a sussurrarmos baixinho: – É a última vez!.
Beijamo-nos perdidamente como se realmente fosse a derradeira última oportunidade, no fundo ambos sabíamos que era mentira.
Criámos um ritual só nosso, para mitigar a culpa que sentimos, desde o primeiro dia em que nos conhecemos.
Que ganhei coragem para te abordar no café ao fim de tantos dias a mirar-te, que a nossa pele fez faísca. O nosso primeiro contato queimou-nos na pele, a incontrolável sensação de desejo, tanto que nenhum de nós trabalhou nesse dia. Durante algumas semanas ainda ludibriámos os nossos corações, convencendo-nos que era amor, que finalmente tínhamos encontrado a alma gémea.
Triste inocência, depressa percebemos que não, somos ambos predadores solitários de apetite voraz, curiosos e desinibidos, é um constante desafio levar mais longe os nossos limites.
No acto de amar o corpo, da procura desmedida de prazer e luxúria.
Da necessidade carnívora de sexo, aí somos insuperáveis, impróprios para cardíacos tal a intensidade da nossa entrega mas o pior, deste emaranhado de sensações momentâneas é que nos tornou agarrados.
Sexo-dependentes incuráveis um do outro, pelo menos para já, buscamos incessantemente quem quebre este circulo vicioso.
A procura continua…, é a última vez.
Pelo menos até que o telefone toque novamente e o meu corpo não te consiga dizer não.
Bastardo #69Letras

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