O vestido vermelho

Texto Erotico M18 |O vestido vermelho

Estava um dia triste. Não porque estivesse cinzento ou até chuvoso, não. Estava simplesmente triste. Sem sabor. Aquela apatia que se instala sem saber porquê, e que nos tolda e adormece os pensamentos. Resolvi sair e entrar na multidão que se passeava por Lisboa. Nem sabia bem que rumo tomar mas segui… Segui por ruelas estreitas e desniveladas onde janelas abertas espreitavam as gentes que passavam. Começava a escurecer e ao longe via-se o que restava do sol adormecido por entre as colinas de Lisboa. Entro nas portas abertas de uma taberna antiga. de Lisboa. O cheiro a vinho mistura-se com o de fritos, e sobressai por entre as vozes, um grupo instalado no fundo da sala. Peço algo para beber ao mesmo tempo que acendo um cigarro e fujo com os meus sentidos para a porta da rua em busca de ar fresco e assim que levanto os olhos da chama do cigarro veja uma mancha vermelha… pareceu-me uma mancha, mas assim que foco descubro um vestido vermelho comprido de alças preenchido por uma morena de cabelos longos e de olhar vazio. Os nossos olhos cruzam-se por eternos segundos e o sorriso que solta deixa-me confiante. Levanto por completo a cabeça e fito a sua silhueta. Magistral. Nada havia de errado. Era como se a perfeição tivesse descido às ruas para me encarar de frente. Olhamos fixamente um para o outro e o seu ombro encolhe-se como que a demonstrar timidez com que luta para manter o olhar fixo em mim. Caminhamos de encontro um do outro, como se os nossos corpos tivessem vontade própria e em perfeita sintonia encontram-se a meio caminho e nem uma única palavra sai das nossas bocas que se encostam levemente. Os seus lábios secos e ásperos são tocados pela ponta da minha língua e aos poucos humedecem-se para receber os meus deslizando como se de veludo se tratassem. O tempo parou e naquela rua nada mais importava que não fosse os lábios que bailavam juntos, as línguas que se encontravam os corpos que se apertavam e as mãos que se agarravam. Voávamos e posso até jurar que os nossos pés não tocavam o chão. Afasto os meus lábios dos seus para sentir a sua pele salgada num pescoço despido coberto somente por cabelos que teimavam em defende-la. Os gemidos sobem de tom e no meio de sons quase pecaminosos ela diz-me baixinho…

– Toda a rua olha para nós…

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Nada me importa que Lisboa inteira queira ocupar o meu lugar. Ate mé dá alguma vaidade. Confesso. Levanto os olhos e por entre cabelos a esvoaçar vejo que as esplanadas em redor olham-nos tentando antever o desfecho do momento que lhes entra incontrolavelmente pelos olhos adentro. Afastamos os corpos e olhando um para o outro levo a mão ao bolso e retiro algum dinheiro, nem sei quanto que atiro para cima de uma mesa. Saímos os dois lado a lado por entre os olhares mas o desejo é que nada mais se intrometa entre nós. Caminhamos quase sem olhar um para o outro até que chegamos ao fim da rua mais deserta onde uma porta de um prédio serve de refúgio para o reencontro dos corpos trémulos mas excitados…

-> (continua) 

ORFEU

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