*ESTREIA* MAIS MARÉS, MARINHEIRO | Texto de Maria ArrepiadaMental |

| M18 | Maiores de 18 | Apanhaste-me na curva certa. Ascendente. Daquelas alturas em que uma rapariga nem pode respirar para cima de alguém que a reacção é de interesse. Óbvio. E valente. E deslizando na crista, surgiste tu. Seguro. Tão a minha onda. Aniquilando os demais peixinhos da água. Eu, tentando manter a cabeça à tona, fazia por ganhar tempo para me aperceber de ti. Para controlar o teu swell. Tu, ciente e decidido, ofereceste-me o ultimato. No escuro do auditório. Entre o acto I e II. Desenhaste o Mapa Côr-de-Rosa. A tua mão pousou na minha anca, levantou-me a camisola, desapertou-me as calças e trespassou o elástico das minhas cuecas. Retirei o lenço do pescoço, coloquei sobre o meu colo, e deixei-me verter. Pela cadeira. Pelos teus dedos que assim chegaram. Assim que chegaram. Fiz o meu melhor para controlar a respiração. Para conseguir responder à C., que comentava a peça, sentada do meu outro lado. É impressionante não é? Era.

Quando as pernas tremiam, temia vir-me.
Quando me distraía e deixava o pulsar lancinante fugir, temia que não me viesse.
Ia. E vinha.

Inclinaste o teu torso, encostaste a tua boca ao meu ouvido em jeito de quem me vai dizer algo. E o meu sangue subiu em vaga, arqueando as minhas costas, apertando-me o pescoço em repelão, sacudindo os meus ligamentos desde do mandibular até às têmporas. Mas não disseste. Nada. E paraste. Retiraste a tua mão de dentro das minhas calças. Confrontei-te com o meu olhar e a minha expiração acusatória de decepção. Sussurraste: O que é que queres? Enervada, brotou da minha garganta mais voz do que pretendia.
– Mais.
E tu, colocaste os mesmos dedos sobre os meus lábios.
– Shhh, respeita os artistas, porta-te direita…

 

Arrepiada Mental
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