Diário das quase Férias

Introdução
É Domingo, finalmente acabou a semana, lentamente começo a entrar no modo férias, enquanto meto a chave à porta leio as mensagens perdidas no telemóvel, vejo uma que me desperta a atenção.
De Charlie: “Liga-me com urgência!”
Como já perceberam tenho vários trabalhos. Charlie (nome código) é além de um velho amigo, dono de uma empresa de protecção privada muito exclusiva. Embora falemos bastante durante o ano, a minha experiência profissional, os meus muitos anos de profissão fazem de mim um activo pouco solicitado.
Visto que, sou o mais caro e mais exigente no cumprimento das regras, normalmente só em situações delicadas e de alto risco de entidades sou chamado, como tal liguei imediatamente.
– Então Charlie? Velho amigo! Qual a urgência?
– Bastardo, que bom ouvir-te, como estás? Sempre ias de férias agora?
– Estou bem, e sim a partir de amanhã estou oficialmente de férias, porquê?
– Vais para fora? Tens viagem marcada?
– Não, sabes que todos os anos o pessoal libertino como eu, marcávamos viagem para um destino diferente e íamos à aventura. Este ano já fui ver casar os últimos extraviados, outros começaram a experiência da paternidade agora. Como contínuo lobo solitário este ano resolvi ficar por cá e visitar a família que já não vejo faz anos. Mas continuo a perguntar-te porquê?
– Tenho um cliente com um serviço urgente de protecção de médio risco, mas que exige que sejas tu. Paga o teu Contrato nem é em dobro, é a triplicar, assume a comissão aqui da empresa, com todas as despesas pagas. Mas a única exigência é que não aceita outro que não tu.
– Ok. Mas para me pedir a mim especificamente têm que me conhecer, afinal quem é o cliente?
– Meu amigo tenho que confessar. É uma mulher, só falámos por telefone e email. Mas a voz dela derrete cera das velas sem precisares de usar lume.
– Quer-me parecer que vai ser complicado, de certeza que não aceita um dos putos novos, que tens aí a trabalhar? Explicaste que sou o mais bruto e mais exigente no cumprimento do serviço? Já não falando no mais dispendioso?
– Falei amigo. Exige que sejas tu ou nada feito. Preciso é de uma resposta agora?!
– Agora, mas assim!?
– O serviço começa amanhã, percebes a urgência?
Com uma gargalhada contida respondi:
– Ok, isto vai ser interessante, quantos dias?
– São 7 com amanhã, inclusive.
– Manda-me a morada então, que o destino se divirta mais um pouco.
– Já te enviei para o telemóvel, amanhã pelas 09h da manhã, abraço B.
– Abraços Charlie. Para ser sincero nem li a mensagem.
Subi apressadamente, abri a porta, corri para o quarto é comecei o meu ritual neste tipo de trabalhos. Porta-fatos aberto, dois fatos escuros feitos por medida, desenhados para disfarçar o porte de arma e facilitar a mobilidade, minhas camisas pretas sem colarinho, com este calor, gravata nem pensar, uns pólos para situações mais casuais. Toca a passar tudo a ferro e aprumadinho, com um sorriso e a pensar: – Não sei para onde vou mas vou levar o calção de banho e a toalha de praia, se tiver uma aberta, a ver se ainda ganho uma corzinha. E agora descanso.
O pensamento que afasta os meus sonhos e me intriga, é quem será esta mulher? De onde me conhece e porquê eu?
Continua…
Bastardo #69Letras

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