Submerso

Acabaste de sair embora não pareça.
O teu odor, melhor o nosso odor ainda preenche o quarto, acabei de sair do duche mas a verdade, é que ainda sinto as tuas unhas nas minhas costas. O sabor do teu sexo no céu da boca, do teu beijo quente ao longo do meu corpo.
As tuas formas diabolizam-me a mente ainda, prova disso está erecção que teima em ressuscitar. Só de cheirar os restos do teu perfume que ficaram na toalha que usaste para te secar antes de sair.
Tornaste-te o meu vício mais belo, violento e impetuoso. A forma como entras pela porta, já a despir-te e me atacas logo as calças para me devorar o membro.
Como comandas a primeira investida e a cada orgasmo que tens vais-te entregando e, delegando a autoridade inicial até te submeteres aos meus devaneios também. A forma como gemes no meu ouvido e abafas o grito de prazer mordendo os lençóis, como te contorces e mordes os lábios quando a minha boca te sorve os fluidos que libertaste por todos poros e orifícios.
Adoro a capacidade que tens de me submergir no teu corpo, na tua vontade. Por momentos não existem dois, existe um único ser que mergulha no prazer, na luxúria, nas vontades e ânsias unidas, vergadas ao calor da penetração, da posse, do desejo animal de saciar os instintos primários.
Adoro quando emergimos dessa amálgama de carne macerada mas de almas purificadas, lavadas sem pudor ou culpa, mais ainda pelo teu sorriso de satisfação enquanto me abandonas exausto no meu leito.
Embebido no torpor dos sentidos, ainda submetido ao momento do nosso clímax mútuo e avanças para o teu duche rápido e sais com um ligo-te quando tiver fome, bates a porta na saída e eu ainda submerso lentamente a emergir, pensando já no próximo mergulho.
Bastardo #69Letras

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