Se somos o que comemos então sou café |Letras da Vizinha|

Às vezes serena e perfumada , aromatizada pela leveza da minha alma, assim cheia de frescura como se fosse um amanhecer, outras vezes fervorosa como um café ainda a borbulhar numa chaleira. Não me toques até que repouse, pensamentos em turbilhão, impulsividade pronta a queimar e a ferir quando não estou pronta para lidar, se insistes em beber-me à pressa, no teu tempo e não no meu, amargo-te a boca e queimo-te os lábios, mas se me deres tempo para a temperatura descer e suavemente me adoçares…

conhecerás um outro cafe… um que te assentará bem.

Não me esperes sempre doce, serei amarga num dia ou momento mau, num abismo caio num segundo me ergo, num raio de luz sorrio num raio de tempestade escureço, se colocarem os grãos da minha essência num lote mau, serei absorvida pelo peso da amargura do que me rodeia, apenas
não te esqueças (peço-te) de todos os dias em que já te adociquei o paladar…
Há esta dualidade dentro de mim, de ti e de todos…
Uma chávena esquecida numa mesa onde o centro com uma jarra de flores nunca mais foi cuidada acaba por esfriar, numa mais foi bebida ou saboreada.
Quando há calor, e quem ternamente te sorri tu esquentas e não és senão aconchego e plenitude para quem te bebe como se fosses o melhor dos cafés… o eleito! 
Só preciso de luz e de duas mãos que me segure tal chávena e pele que trocam calor e satisfação, desejo e comunhão, elevada aos teus lábios onde escorrei no teu interior e te aqueço…
e não mais eu…
serei uma chávena esquecida…
um café por beber.
0158e1281490047df63b5ed0cdfee642

VIZINHA #69LETRAS

Deixar uma resposta