Que se foda a porta

Saí do banho. Um banho demorado daqueles em que uma mulher se mima. Uma tarde como tantas outras. Quente.
Faltava, para ser perfeita, o meu café à janela.  Tinha acabado… o café acabar é quase uma calamidade. Sem mais, enfiei apenas um vestido leve e fui bater à porta do vizinho. Confesso que andava há algumas tardes à procura de um pretexto. Mas este era real.
Deixo a porta encostada. Toco.
Ele grita lá de dentro um “vou já”. Aquela voz dele … mas o propósito era o café…..
A porta abre de repente… ele estava no duche… aparece-me ainda de pele molhada, toalha enrolada… gaguejo… como não… aquele homem alto de mãos bonitas e sorriso filho da mãe, vestido já era uma tentação…. assim de toalha tornou-se complicado falar… falei… “tens café? O meu acabou e não me apetece ir à rua”. Ele entra enquanto me convida. Eu queria que ele me desse café em pó para fazer na minha cafeteira jurássica, mas entendeu oferecer-me o café ali. Na casa dele.
Segui-o, sentindo o vestido leve lembrei-me que estava nua por baixo. Eu nua e ele de toalha era demasiado perigoso. Os pensamentos ganharam vontade própria. Coro. Ele vê -me corada e a conversa casual começa a ficar sem jeito. Ooh…. vizinho… assim não vale… Mordo um lábio inconscientemente…. talvez os mamilos se estejam já a ver no vestido fino. Um momento de silêncio… os nossos olhos estacionam uns nos outros e a toalha justa dele denuncia-o.
A minha porta ficou aberta. Não vou demorar…
Ele leva-me à saída, mas quando  abro a porta para sair aproxima-se por trás de mim, encosta…

Que se foda a porta…

 

Marie #69Letras

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