Quando o amor não é correspondido… | Um texto de Paola Fantini |

Entre esses olhares estranhos vou me perdendo na saudade… Tento me conter, me consolar com minhas lágrimas, mas elas aumentam ainda mais meu sofrimento. Corro para a esquina de minha rua procurando seu vulto, e só encontro os passos da ausência. Meus braços imploram pela busca inútil, então sou derrotada. Amargurada, saio na escuridão da noite. Entre sorrisos e canções, barulhos de businas, gente falando alto, e eu buscando razões para nao ser uma estranha em meio a tanta coisa desconhecida. Vejo olhares olhando para mim, debochando de meus trajes, de minha solidão, do meu rosto tão esquecido e pálido pela tristeza, do sorriso que não mais tenho nos lábios…

E vem a revolta em meu peito, a falta de conforto no meu coração, não me conformo em te perder.

Essa dor inconsequente no meu peito fere cada vez mais, e vem suas palavras que estão firmes em meus pensamentos repetindo aquele mesmo adeus que sinto meu coração disparando… Quero morrer, quero sufocar o medo da solidão e me suicido no meu sofrimento. Perco as forças, fico calada no meu silêncio, mas a dor maior transparece no meu rosto e me afogo no meu tremor. A realidade me maltrata, a voz da razão bate em meu rosto para me acordar do sonho… Me perco no hálito puro de seu beijo e a força da verdade me mostra que não é minha boca que você deseja… Que não é minha mão que você quer em teu corpo… Sofro horrores tua falta, e me escondo no inferno gelado de minha agonia. Só consigo rezar o seu nome em busca da glória do nosso amor que você, querido, esqueceu, deixou somente comigo e foi embora. Acordo, olho para o espelho, meu rosto cansado me mostra a minha derrota, as lágrimas paralisam meus olhos que me olham… Tenho medo até mesmo de respirar. O tempo corre rápido lá fora, e aqui dentro do meu quarto, tudo é silêncio, as horas passam, meus olhos continuam me olhando. Pego uma folha de papel e começo a escrever sem cessar, as lágrimas rolam em meu rosto. Seu nome como uma canção, e vou falando de amor, de minha agonia.

As palavras fazem correr o tempo e um grito da verdade esquecida briga comigo… Não, não… Eu nao quero dizer o seu nome.

Me aflijo só em pensar que há alguém nos seus braços, compartilhando de momentos que eu queria que fossem meus… Há alguém que colhe teu beijo a cada segundo, e que aprecia de momentos, de coisas tão íntimas,tão verdadeiras. O ciúme me arrasa nessa hora… Toques e sussurros que ensurdecem. Como mel, a saliva da sua boca descansa nos lábios dela. Sou um ser parasita, amargurada, cansada, admitindo só para mim, esse amor que é minha derrota. Saio calada porque sei que você não vai me escutar agora. Ergo meu corpo e grito dentro dele que te amo, que somente os anjos foram testemunhas do nosso amor maior. Não tenho fome, não tenho sede, não tenho sono, somente tenho vontade de chorar e desabafar, desabafar às paredes através de palavras, tirando de cada canção os momentos que compunham o nosso mundo, do mais verdadeiro amor…

O amor que eu sinto por você! Até quando? 2e8a88a797a650da37bcbe04eb833843

Até quando será que vou sobreviver assim?

Assim tão sem nada, assim tão sem ele, assim tão sem amor?

Até quando?!

 

Autoria: “Paola Fantini” PT-BR

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