Nylon e escapes

7th Sin

Existem locais que nunca esquecemos…
Locais que nos marcam de uma maneira ou de outra…
Que nos transportam para todo e qualquer local que não a realidade mundana…
Normalmente a praia é um desses locais…
Chamem-me estranho, mas adoro ir até à praia no Inverno, principalmente em dias cinzentos, aqueles em que o termo “uma praia só para mim”, acaba por fazer sentido!
Mochila às costas apenas com uma manta, monto na minha mota e faço-me à estrada.
Chegado ao destino “paradisíaco” na Serra da Arrábida, chego a uma das muitas praias quase secretas que a mesma esconde.
Olho em redor…Ninguém! Mesmo como eu gosto!
Desmonto da minha companheira de estrada e faço-me ao areal, qual Robinson Crusoé!
Estendo a manta no areia branca e fofa e senti-me quase que a desvirginar aquele local! “Bom, pelo menos aqui estarei sossegado a pensar…em nada e em tudo!”
Estava uma tarde calma. Uma tarde em que tudo poderia acontecer…
Menos o que eu não previa…
Sabem aquela sensação de nos sentirmos observados? Foi o que senti, pouco tempo depois de ali estar…
Olho para trás e vejo alguém junto à mota…
“Pronto! Acabou-se o descanso! Já vou ter de mostrar o chão a alguém!”
Aqueles pensamentos de amor e carinho que nos assolam quando mexem em partes curvilíneas que não devem mexer! Humpf!      

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Miss Steel

Há dias em que me perco por aí, por essas estradas fora. Talvez fuja de mim própria. Fujo da rotina que teima em assolar-me a felicidade.
Há dias em que me obrigo a sentir-me livre! Obrigo-me porque o ser humano tem prisões e pior, estima as suas prisões. Seja compromissos profissionais, familiares ou religiosos.
Fiz-me à estrada! Apenas com a roupa que trazia no corpo. Sem documentos, identificação pessoal ou sapatos.
Deixei-me levar pela caixa de mudanças e acelerei a fundo! A minha sede pela vida era quem me guiava. Estrada deserta e um pôr de sol que iluminava a minha destreza a conduzir.
Cabelos ao vento…e a gasolina acabou-se. Merda! E agora o que faço? Nem uma alma viva à vista! A não ser uma mota abandonada à beira da estrada. Mas quem seria doido o suficiente para largar uma mota assim ao abandono!
Miss Steel entra em modo de investigação. Ninguém mesmo à vista. Steel, estás com sorte! Sempre quis aprender a andar de mota! Ora muito bem, como se monta o bicho?
Miss Steel à procura de um escadote…

7th Sin
Tento vislumbrar quem seria louco o suficiente para estar ali…assim…
Não se mexe na mota de ninguém! Não não não!
Levanto-me num ápice, começo a correr em direção ao meu “cavalo de ferro” mas depressa abrando a corrida…
“Não pode!”, pensei para mim!
Num jeito desajeitado mas bastante sensual, vi o me pareceu ser uma figura feminina! Calças de cabedal preto bem justo onde as formas corporais sobressaíam! Um top preto que apertava um peito que teimava em não estar quieto conforme o corpo era impulsionado para tentar montar o banco! Um casaco preto de cabedal…”Steel”…bordado nas costas! Óculos escuros, lábios carnudos e sensuais…tom de pele branca…os pés descalços onde sobressaíam meias de nylon pretas! A sério?! Olhei para o céu em tom de “Só Podes estar a brincar comigo!” Uma verdadeira Deusa! Fiquei atónito! Dirigi-me com o meu ar de D. Quixote e nem dois passos tinha dado e os pés decidiram que juntos estavam melhor! 7th Sin no chão para minha vergonha! Olho para cima e vejo-a a rir desenfreadamente! “Boa Sin! Sempre a marcar pontos fora das linhas!”
Levanto-me, sacudo a roupa e pergunto:
“Precisa de ajuda? A propósito, chamo-me Sin. A Srta é..?”

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Miss Steel
– Olá sou a Miss Steel, não me leve a mal mas eu pensava que era a única a cair neste planeta e a fazer figura de otária!
Acho que fui sincera demais. Arranjaste-a bonita Steel. Já não vais aprender a andar de mota.
– Não me leve a mal, sou eu mais uma vez a ser otária…
– Mas o que quer da minha mota? Eu reparei que estava a tentar montá-la.
Pronto! Agora pensa que lhe quero roubar a mota. Oh Steel mas não dás uma para a caixa mulher!
– Ups, desculpe. Eu só queria experimentar e…
– Não se experimenta a mota de outra pessoa sem se pedir autorização!
Credo! Pelos vistos roubei a criancinha de alguém.
– OK ok! Vou deixá-lo em paz com a sua menina! Credo! Há-de arranjar muitos amigos com o raio desse feitio.
Volta costas Steel. Daqui não levas nada! Ou levas?
– Espere! Começamos com o pé esquerdo. Quer dar uma volta de mota comigo?
Ou muito me engano ou afinal o rapazola até é simpático. E adoro como o seu olhar brilha quando me pergunta se quer que eu monte a menina dele. A mota, caras leitoras e leitores perversos e com a cabeça cheia de sujidade!!!
– Claro, teria muito gosto. Se me ajudar a subir?!

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7th Sin
-Claro que sim Srta Steel, ajudo-a a subir…
Embora na minha mente, algo já estivesse mais que subido…
-Onde me leva?
Perguntou ela com a voz mais sensual que ouvi até hoje…Para a areia! A mota fica aqui! Desejo-a assim que o meu olhar a fixou! Quero beijá-la desenfreadamente, sentir que o seu corpo dá sinais de excitação tal como o meu, quero que fique molhada assim que os meus dedos toquem o seu sexo! Quero que os meus lábios o sintam! Quero beijar os seus pés como seu submisso até se contorcer de prazer! E depois quero penetrá-la! Vezes sem conta! Até gritar de prazer num orgasmo mútuo! Até o seu prazer ecoar por esta praia só nossa! E depositarmos os nossos corpos suados na areia e contemplarmos o céu!
Calma Sin, não podes responder assim! Já fizeste uma entrada a pés juntos com os dentinhos quase a resvalar no chão, começaste com o pé esquerdo e se dissesses isto agora, no mínimo ela afogava-te no mar! E olha que a praia é deserta…
-Steel, assim que iniciarmos a viagem (de mota), nada para si será como antes! Irei levá-la para o “patamar” seguinte (onde é que já ouvi isto?!)! Aceita?
Nossos olhares cruzaram-se!…
E esperava ansiosamente a sua resposta

©Miss Steel 69letras 2017 

©7th Sin 69letras 2017 

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