Um dia normal…

Um dia normal…

Lembro-me como se fosse ontem, um dia que amanheceu igual a tantos outros dias de Verão, em que o cheiro a maresia vindo do rio acompanhava o estridente chilrear dos pássaros que teimosamente me acordam às 5:30 da manhã, quando o sol começa a antecipar o calor que se irá sentir.

Levanto-me preguiçosamente, tomo um duche, passo creme na pele e visto-me, não preciso de mais para me considerar arranjada, afinal á só mais um dia igual aos outros.

Como ainda tenho tempo tomo o café com calma e com a companhia de um livro e deixo-me levar pelo cheiro do café e pela história que leio avidamente. Quando dou pelas horas já estava atrasadíssima, agarro na mala e no meu livro e saio disparada para o elevador e pela porta do prédio quando esbarro com ele, tendo caído redonda no chão.

Ele prontamente estendeu a mão para me ajudar a levantar mas assim que me toca tenho uma sensação de choque eléctrico que me deixa a tremer e sem forças, é quando olho para cima e me perco. Não sei quanto tempo ficámos assim mas deve ter sido bonito de se ver, eu sentada no chão de mão dada com ele e ambos perdidos num olhar interminável.

Finalmente reagimos, levanto-me inebriada pelo seu perfume e presa no seu toque e olhar, perfume esse que me transporta momentaneamente para o livro que leio “Perfume”, algures espalhado no chão e que ele apanha e me dá com um sorriso, como se adivinhasse o que estava a pensar.

Neste misto de sensações em tudo avassaladoras e inesperadas, ele desculpa-se pois vinha distraído e convida-me para um café. Eu, atrasadíssima, nem me lembro disso e aceito. Passámos horas a falar, como se nos conhecesse-mos, como se fosse-mos parte um do outro.

Tínhamos tudo para além de uma química incontrolável, de repente percebemos que éramos perfeitos um para o outro, coisa impensável e sem explicação, pois nem eu nem ele acreditávamos em amor à primeira vista nem em almas gémeas, talvez pelos passados que tivemos que nos deixaram descrentes.

Uma coisa era certa, sem nos conhecermos amávamo-nos!

E a comprová-lo tivemos o beijo que ele me deu quando nos despedimos. Um beijo em silêncio, que disse tudo sem precisarmos de dizer mais nada. Doce, terno, carregado de sentimento e dado com todos os sentidos numa explosão de gostos, cheiros e desejos. Foi um beijo que não tem explicação, não sei se será possível defini-lo desta forma mas fizemos amor com esse beijo.

Ainda hoje lhe digo “Teria sido um dia normal sim se não te tivesse conhecido”.

© Miss Kitty 2016 #69Letras

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