Do Minete Como Uma Das Belas Artes

Texto Erótico|M18
Homem que não faz minetes não gosta de mulheres.
Pode gostar de foder, mas não gosta realmente de mulheres.
Tenho pena se isto ofende alguém, terão direito a uma opinião, que são de borla, mas factos são factos e a vida é assim.
As mulheres cheiram a cona? Lá está, homem que não gosta de cheiro a cona não gosta verdadeiramente de mulheres.
Dizer que se gosta de mulheres mas só das partes que não cheiram a cona é como dizer que se gosta de cães excepto da mania deles de ladrarem e lamberem e nos saltarem para o colo e quererem festas. É uma coisa que deviam analisar. Talvez só gostem do conceito, da ideia de ter um cão. Pensem lá nisso. A sério. Não acho que uma pessoa assim deva ter um cão. E também não acho que deva ter uma mulher.
Aproveito e digo que mulher que não gosta que lhe façam minetes também tem qualquer coisa a rever na sua vida. Pode ser um trauma qualquer, e não ser coisa que se resolva só querendo. Pode ter uma questão física que a impeça de ter prazer, e o minete transforma-se num frete. Ou pode apenas não saber o que é um minete bem feito* .
Um minete, para ser bem feito, requer vontade de quem o faz. Requer gosto. Ver o prazer de uma mulher, fazer uma mulher vir-se na boca de um homem, tudo isso, sendo importante, não é a razão pela qual se o faz. O objectivo de um minete é completamente egoísta.
Fazem-se minetes pelo sabor da cona, pelo cheiro da cona, pela dinâmica das contracções e dos fluidos, e pela tesão que isso tudo nos dá. Para o aficionado de minetes, um minete é uma coisa em si, não é substituível nem comparável. E dá tesão. Pode dar quase tanta tesão como um broche – a menos que seja um broche excepcionalmente bem feito, e poucas coisas se comparam a um broche excepcionalmente bem feito.
Um dos encantos do minete é a concentração total no que se está a fazer. O minete proporciona uma intimidade extrema com um conjunto de centros de prazer da mulher, um feedback intenso e pleno. O homem transforma-se no agente do prazer da mulher, e o prazer dela na fonte do seu prazer. O minete é feito com muito mais que a língua, é feito com os lábios e os dedos e o corpo todo, com mãos que percorrem as pernas e as nádegas e a cintura, até às mamas enquanto a língua esfrega o clitóris, percorre os lábios, toca o períneo.
O minete é diferente todos os dias, e é diferente em cada mulher. Não há duas mulheres cuja cona cheire ao mesmo, saiba ao mesmo. Não há duas mulheres que reajam da mesma forma aos mesmos estímulos, nem nos mesmos tempos. Por isso o minete é coisa que evolui e que se aprende em conjunto, é aberto à experimentação e à criatividade, e deve sê-lo.
Tecnicamente, o minete compreende um conjunto pequeno de actividades ao alcance de qualquer um. Pode começar com um simples toque, a mulher de costas, deitada, o homem entre as suas pernas abertas, as mãos dele subindo devagar pelas coxas enquanto observa os lábios dela a pulsar devagar. Um deslizar suave da língua começando na virilha, perto do períneo, subindo pela face externa dos grandes lábios, o esquerdo primeiro, talvez, a língua percorrendo os contornos da carne, até ao monte de Vénus, sem lhe abrir ainda os lábios. Voltar a começar de baixo, desta vez do lado direito, entre a virilha e os lábios, e chegado ao cimo descer com a ponta da língua até ao pequeno prepúcio que cobre o clitóris, sem demasiado movimento, pressionando-o apenas. E molhar em saliva o indicador direito, na boca de um dos dois, nem interessa qual, e massajar-lhe o períneo, pressionando em movimentos lentos o espaço entre a vagina e o ânus, enquanto a ponta da língua se move, dura, para cima e para baixo, descobrindo-lhe o clitóris, sentido o seu ligeiro inchar, endurecer. O fundamental é encontrar o que lhe dê prazer, mas sem pressas, sem mudar de movimentos a cada dez segundos, o prazer por vezes começa lento, o corpo precisa de se encontrar, de relaxar, de se entregar. O minete é isto, é um jogo de entrega, é o domar de uma fera que quer ser domada mas não sabe como, que é diferente todos os dias. O minete é o jogo do absoluto controle, de controlar as emoções e o pensamento de uma mulher com a ponta dos dedos e da língua, mas ao mesmo tempo é o jogo da total subserviência, porque as emoções que queremos são frágeis, e há que persegui-las no seu próprio tempo, com as suas próprias regras. O minete é uma arte mais difícil de domina que qualquer um dos passatempos tradicionais dos cavalheiros, requer mais atenção que a caça, mais perseverança que a pesca, mais intuição que as cartas, mais visão de jogo que o xadrez, mais destreza manual que os dardos ou o bilhar. O minete é a Arte Completa do homem contemporâneo, um jogo em que ganham todos ou não ganha nenhum, um jogo onde o triunfo de quem o faz se mede pelo triunfo de quem o recebe, onde o prazer ecoa, de um no outro, até ser ensurdecedor.
Não há arte mais fascinante que a de fazer uma mulher vir-se na tua boca, uma e outra vez. Controlar a tua respiração, caminhar a linha fina entre a tesão que tens e o ritmo dos teus gestos, enquanto te inebrias a ouvi-la, a tocá-la e a sabê-la, a vê-la latejar na tua boca, a sentir o seu esfíncter contrair-se à volta do teu dedo enquanto os espasmos a devoram e te encharca.
Somos homens de respeito, e por isso respeitamos todos. Respeitamos quem não faz minetes, da mesma maneira que os cavalheiros de antanho respeitavam os homens da terra. Compreendemos que há coisas que talvez não sejam, para todos, fáceis de entender e dominar. A arte é beleza mas é também dedicação, uma dedicação prolongada à mulher, que um espírito mais imediatista talvez ache difícil de entender, difícil de compreender porquê uma tão longo trabalho quando há formas mais fáceis de um homem ter tesão e prazer e se vir.
Não concordamos convosco, mas respeitamo-vos porque sois gente. Só não nos peçam, jamais, para namorar com as nossas filhas.
* Não querendo com isto entrar no grupo dos que dizem “não gostas de caracóis? é porque ainda não provaste os que eu faço!” – mas o facto é que parece que há pessoas com muito azar na vida

In: Blog Menino de Sua Mãe

 

O Vizinho #69Letras

2 comentários a “Do Minete Como Uma Das Belas Artes”

  1. Excelente reflexão!! Adoro o facto de refletir sobre a entrega emocional e a reciprocidade de prazer que a mesma provoca!! Muito bom mesmo!

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