E se o meu corpo é pequeno a minha alma é grande quando está na tua presença!

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Não é segredo que nos rendemos um ao outro, tu à minha luz e eu à tua noite. Não é segredo que transpiramos os momentos que inspiramos. Ardo em saudades que não conto, passo pelos dias com saudades da tua singular noite.

Se um dia fui Rainha foi porque tu foste o meu Rei e o nosso sexo o castelo onde reinamos rodeados de perversão.
Que saudades de te ver caminhar até mim, a cada passo mais o manto da noite me abraçava e mais iluminado o meu corpo se sentia.
Chegas vindo de não sei onde, deixando para trás paisagens memoráveis, a lua guia-te até mim e revela-me o teu sorriso.
Vens leve solenemente despreocupado, com as mãos nos bolsos, de expressão cerrada e eu de sorriso espelhado.
Contigo trazes a decrepita noite e todo o mistério que ela esconde.

Como uma flor esquecida pelo dia frágil e ressequida pelo sol, afagas-me e acolhes-me no negrume do teu toque, esse mesmo que me dá a vida que havia um dia perdido.


Beijas-me silenciosamente e deixo-me embalar pela maravilha do teu olhar e se o meu corpo é pequeno a minha alma é grande quando está na tua presença. Não mais sinto angustia, não mais sinto indiferença, toda eu sou vida no destino do teu corpo.
Desfolhas-me com avidez e dedicação e toda a natureza nos observa, os animais noctívagos recolhem-se, os sons soam mais baixinho dando destaque ao prazer com que me deixas quando em mim entras…

… quando vais é dia…

nunca mais foi noite…

nunca mais fui colhida.

 © ?Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2015

Fotografia: Via Tumblr

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