Recordo-te cerrando os punhos, trincando os lábios, vincando as unhas.

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O tempo escasseia, escapa-me, consome-se, faminto, impenetrável. Sim, a eternidade está em cada segundo mas esta vida mundana implica muitas obrigações… afasta-nos de nós mesmos. Afasta-nos da imensidão do universo das nossas almas, afasta-nos da infinitude do amor que habita nossos corações, afasta-nos da contemplação…
Estamos misturados e absorvidos nesta correria, sem tempo de nos abandonarmos…
O tempo voa e continua a trazer-me, todos os dias, segundos, minutos, horas, guardados na eternidade. Não passa um dia sem que me recorde de ti. Sem que o teu nome não venha melodiosamente calado beijar os meus lábios sedentos, sem que a tua pele e o teu sorriso não tornem a reluzir docemente entre dispersas memórias.
Recordo-te contrariada, com saudade, com falta, com a carência que sinto e o desejo fervendo que te tenho. Recordo-te cerrando os punhos, trincando os lábios, vincando as unhas.
Recordo-te silenciosamente mas transpiro inconformação. Recordo-te silenciosamente, enquanto o coração me ensurdece, cheio de ruído, de respirações ofegantes, gemidos longos, gritos, tesão…

Marte #69Letras

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