Carta para ti – Londres, 06 de Fevereiro de 2016

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Londres, 06 de Fevereiro de 2016

Amei receber o teus retratos,
da solidão que o cinzento adiei,
tantos artefactos que em vida já te fixei,
do quanto bela tua presença cora,
a mais bela das presenças que em meu coração mora.
Fui até à ópera este fim de semana e guardei na lapela o teu retrato,
e enquanto a cantora afinava o vibrato,
segurei com as duas mãos o calor que de tal imagem me emana,
de mulher entre as mulheres a mais bela,
Deusa que meu coração traz em desacato.
De manhã o sol estava radiante, fui até Hyde Park ver poetas e pintores declamar,
amores traçados em telas pintadas, poemas cantados de forma esfuziante,
que traçavam o longe por mais que este se levante,
trazem ao sabor que ficaram por provar, iguarias de teu corpo em camas desarrumadas,
do meu presente o teu futuro, seja ainda menos adiante.
E ali fiquei, deitado na relva, a sentir o sol no meu corpo a entrar,
porta aberta como outrora teu calor, viajar para perto de ti,
sem sequer me mover do meu lugar, e olhar num profundo imaginar,
que a vida não é só essa selva que muita gente teima em mostrar.
Sinto falta de ti, do teu sorriso, do teu calor,
da vontade de te trazer para veres com os teus próprios olhos o que já vi,
um pirilampo sorrir nos braços de um narciso,
uma fada de cabelos ondulados, transformada em poetisa do amor,
o Thames que corre vagarosamente no seu leito, e as margens de teu corpo onde li,
que o prazer do teu amor em que me deleito,
seria a forma mais perfeita que o mundo teria de me mostrar o conceito,
do que espero ter daquilo que não tenho e ainda nem sequer vivi.
Espero por ti, entre retratos arrumados, no meio do cinzento que me rodeia,
espero por ti num beijo agarrado a teu corpo como uma estátua eterna nas cinzas de Pompeia.
Espero por ti…

Inquilino #69Letras

 

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