Assim sou eu…

Carregas uma dor imensa em ti, como se corpos e faces de beleza intensa, estivessem proibidos de carregar sentimentos no corpo sofridos, por apenas ser tão densa essa beleza imensa. Calcorreias em passos de algodão, terrenos movediços e no entanto nessa mão que se estende e se aproxima, palavras soltas em hora de noite ínfima, soltamos feitiços em forma de coração. O passado que nunca quis ser futuro sentido, que me trazia um vazio, tal como outrora casaco vestido, ficou la atrás no silêncio sem memória ou consenso por apenas não ter história de paixão ou sequer amor vadio. As linhas por onde passam o comboio da tua vida, serão guias na minha boca, nesta vontade mera ao mesmo tempo tão louca de não parar em estações, apitar nessa fornalha de comboio a vapor, onde queimaremos a dor, onde nos perderemos de razões, porque a vida não espera, por vontades dúbias ou hesitações. Sim, estou próximo de ti, muito próximo até como sempre tiveste comigo, quando precisei e não estavam ali, nunca desististe, quando choravas nesse olhar triste e te fazia sorrir amei ser o teu ombro amigo, porque a dor que carregas um dia vai passar, entre castanheiros e flor de zimbro vais no meu colo um dia sossegar e seremos apenas uma forma, um lugar de casacos pendurados á lareira a queimar. As vezes procura se sofrer no difícil e tentar amar por ser difícil, quando amar o fácil mesmo sendo dificil também é amar. Não vivo de distâncias, vivo de proximidades, não vivo de exuberâncias, vivo de ditas e sentidas vontades. Assim sou eu…

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