A minha promessa

Um dia destes cumpro a promessa de te tentar fazer feliz, nestes dias de primavera em que as giestas despontam no meio do monte, sentamo-nos à sombra do carvalho e enquanto te desmancho a trança que te fiz, fico a ver te ler, nesse olhar de criança que tens admirando o sol primaveril que te beija a fronte. Um dia destes pego em tuas mãos e rego as de pétalas para sentires o cheiro, para sentires o que cheiro quando me debruço sobre ti e num sorriso aberto, mesmo em sol descoberto, fazes nascer um arco íris na água tépida do ribeiro, como teu corpo quente que em minhas mãos o teu percorre e o teu peito sente num braseiro. Um dia destes vou ficar ali, afastando te o cabelo da frente dos olhos, sentar me numa pedra e admirar esse teu solitário divagar, de olhos compenetrados, cheirar o lugar, abraçar todo o ar que te rodeia, afagar tua saia de folhos, flutuar em teu redor, sentir a tua vida e a tua cor e inspirar estes minutos amados. Um dia destes vou te ajeitar a relva, colocar uma toalha sobre ela, para que te sintas confortável, deitada de pernas arqueadas, livro sobre os joelhos a pousar, passar o meu braço sobre os teus ombros e beijar a tua boca perfeita e bela, e num vagar pousar te levemente, sobre a brisa corrente, e ali ficar a ver a tua saia a abanar. Um dia destes vou deixar o tempo cair, deixar de contar as horas no campanário da igreja, apagar do calendário as datas por mais importantes que sejam, e dedicar me a ti, só a ti, sem pensar na vida lá fora, nos sonhos e quimeras que austeras á vezes nos invadem sem que a vida se veja, na forma mais pura que é amar cada dia, na certeza de que o melhor ainda não vivi. Um dia destes vou carregar na minha boca o segredo do teu corpo num sabor a fruta exótica, perder me no teu meio, pairar qual gaivota, paira sobre o teu salgado mar bravio, saborear cada linha, cada traço, cada monte, cada pedaço, cada paisagem erótica, cada gruta perdida, ou caminho inexplorado como um explorador que quer conhecer de fio a pavio, todos os recantos belos que possuis, tatear como se de braille cego me ensinasses a leitura em que me sacio. Um dia destes vou me perder, talvez até nunca me voltar a encontrar, sem beira ou lugar, sem dia, estado ou recôndito beijar, beijar sem parar, saborear todo esse sabor que tens tão particular, aquecer me no sol que carregas dentro de teu ventre, rodeado de paredes de umidade quente e ali ficar, eternamente nesse prazer de poder apreciar o que de melhor tens, o sorriso no teu olhar. Um dia destes prometo te o céu em noite de lua cheia de mil estrelas debaixo de uma noite nua, sossegar a tua cabeça no meu colo, e sentir a linha da tua vida em que me enrolo na tua vontade mais lida, apertar te junto a meu peito, teu corpo no meu a fazer do meu o teu leito nesta vontade crua, que me consome a alma, me tira a calma, peito aberto em coração desperto e ser marcador que marca a tua página da vida.

 

Deixar uma resposta