E se fores uma rainha a altura quem sabe se não serei um dia teu rei.

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A vida é um jogo à que aprender a jogá lo mas de preferência dentro das regras. Foi assim que me iniciei nas artes do sexo, como um jogo de xadrez. Desde miúdo sempre tive tendência ao conhecimento e os jogos fascinavam me. Então começaram por me ensinar as regras do xadrez. Havia umas senhoras que se escudavam por detrás de um papel eclesiástico, podia ser ate o bispo e que acharam piada a avidez que tinha pelo conhecer e presdisposeram se a ensinar me as regras. Começaram por me explicar o que era um tabuleiro, com as mãos tacteei nervosamente o tabuleiro e aprendi a conhecer que não existe nenhum igual, uns mais rugosos, outros mais suaves, aprendi a distinguir de olhos abertos os vários tipos. Depois obrigaram me a lamber, saborear, sentir no palato as diferenças e entre cheiros de colónias fortes a lavanda e a perfumes diversos, aprendi a gostar de todos um pouco. Como era bastante atento, aprendia com rapidez e via o olhar de satisfação, que colocavam como se pintassem uma obra prima. Era um mero peão nas mãos das rainhas, e isso dava lhes poder e eu nem me importava se querem saber, gostava de ser peão, e até me imaginava um rei um dia destes. Com o tempo passaram para a fase seguinte, e então vendaram me os olhos, e comecei a aprender a distinguir os cheiros em primeiro lugar, cheguei a certa altura que até o cheiro da cera espalhada pelo soalho me enjoava, e então quando enjoava, voltava a repetir tudo de novo à palmada, uma e mais uma vez, até saber a que peça pertencia determinado cheiro, aprendi depois a distinguir sabores e nenhum era igual, nunca foi igual. Aprendi que determinados cheiros se misturavam, mas os sabores não. Com o tempo já movia as peças com um á vontade tal, que passei a ser eu a gerir o tabuleiro. Descobri que as vezes ganhava com a torre, algumas vezes com o cavalo, nunca ganhei com o bispo, mas já não era mero peão, sentia que tinha poder. Ensinaram me que jogar limpo é sempre a maneira de ganhar que satisfaz ambas as partes, para quem sente o jogo. Por isso quando pensares em inclinar o jogo para fazeres bluff, presta atenção se fecho os olhos, porque não estou a dormir, estou apenas a cheirar, saborear, deixar te ganhar até, enganares te na tua felicidade artificial que não te traz o gosto á boca de vitória mas o amargo fel do sentimento de derrota bem lá dentro. E um dia, quando menos pensares, vou deixar o teu rei assistir impávido, enquanto lhe como a rainha. Nesse dia, tu rainha vais me pedir que repitamos mais dos que uma vez o meu jogar, porque seja com cavalo, seja com torre, seja mero peão, sentes que o meu ganho está no conhecimento que adquiri de jogar limpo. E se fores uma rainha a altura quem sabe se não serei um dia teu rei. Até lá não passas tu incognitamente de um mero peão, apenas um peão que ainda tens tanto para aprender para chegares a rainha. No jogo como na vida, não é rainha quem quer. O jogo não se ganha no cheque mate, mas sim nos pormenores que levam até ele.

Rasputin

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