Como dizer-lhe que já não existe nós? Como explicar que tudo acabou? Que já nada existe?

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Passado algum tempo, finalmente ela conseguiu sair de casa….
Não que quisesse ver ou falar com alguém, apenas ela precisava caminhar, ir até á praia, ver o mar, falar com ele, desabafar.
Durante a caminhada, o que ela menos queria que acontecesse aconteceu;
Encontrou alguém que lhe cumprimentou.. Ela apesar de tudo devolveu o cumprimento…
E a derradeira pergunta surgiu:
_ E vocês? Como está tudo?
Perguntou ele.
Por instantes o coração dela parou! Ficou congelada!
Foi como se uma faca enorme lhe tivesse atravessado o peito directo ao coração.
Ela sentiu uma sensação no estômago, um aperto no peito, um nó na garganta…
Como dizer-lhe que já não existe nós? Como explicar que tudo acabou? Que já nada existe?
Ela respirou fundo.. e quando se preparava para dizer alguma coisa, uma lágrima caiu.
Ao mesmo tempo o nó na garganta aumentou… Como se lhe tivessem amarrado uma corda ao pescoço e puxado com toda a força, impedindo-a de respirar.. como se estivesse a sentir a sufocar…
Abriu a boca, e não conseguiu dizer o que quer que fosse.
Uma segunda lágrima cai.. Ela respirou e apressadamente só respondeu:
_ Sim..está tudo bem…
E saiu a correr.
Correu em direção a uma pequena praia ali perto…
Chegando lá deixou-se cair na areia…
A dor que sentia a consumia por dentro.. Como se tivessem arrancado um pedaço essencial dela…E então começou a chorar.
Olhando o mar, tao imenso quanto a dor que sentia, só lhe vinha vezes e vezes sem conta á cabeça uma pergunta:
_ Porquê? Porquê eu? Porquê comigo?
O mar batia nas rochas, como se lhe estivesse a responder… Mas ela nada entendia.
Continuava a perguntar-se a si mesma
Que andará ele a fazer? Será que pensa agora e mim? Será que não? Será que ainda sente o que eu sinto? Será que não?
Ela agarrou um punhado de areia.. E ao ver a areia a escorrer-lhe por entre os dedos, lembrou-se daquele maldito dia em que viu a sua vida, os seus sonhos, e tudo o que tinha a escorrer-lhe por entre os dedos, tal qual aquela areia naquele momento.
Deixou-se ali ficar… Chorou… Gritou… Desabafou….
Durante horas a sua única companhia era o mar, e um maço de tabaco.
A areia absorvia cada lágrima que caía do seu rosto…. Assim como ela desejava que absorvesse a sua dor junto com elas.
Quanto mais chorava, quando mais desabafava, parecia que mais a sua dor aumentava…
O vazio que ela sentia tornava-se quase tão grande quanto o horizonte que estava á sua frente.
As horas passavam… Mas a sua dor não!
Sentia-se a morrer por dentro, estar viva já não significava nada para ela…
Olhando depois o por-do-sol, Pediu ao sol que levasse com ele a sua dor, a sua mágoa, a sua revolta.. Pediu que levasse com ele, e enterra-se tudo numa nuvem bem distante.
Ao cair a noite… Olhando o céu, a lua, e as estrelas… Sufocada na sua dor , com lágrimas nos olhos, soluçando pediu a uma estrela:
_ Por favor.. que o amanha seja melhor!!

*Sweet Sin* #69letras

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