Apanhei uma bebedeira à grande: que me deu para chorar

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Apanhei uma bebedeira à grande: que me deu para chorar,
para sofrer para fora as dores que me torturam por dentro,
caladas,
angustiadas.
Numa rajada do destino,
não propositadamente, não oportunamente,
antes mais exposta ao silêncio e ao vazio
(existirá algo mais propício ao destino que o vazio?),
num gesto exasperado derramei as garrafas pela mesa.
Tilintaram, vibraram,
como as minhas mãos inseguras
que as perderam para o vazio – que tilintou, ganhou voz, vibrou.
Como o destino.
A voz de um Deus sádico e, por isso, tão mais imaculado, me questionou: “Estás nervosa?”…
Um olhar fatal,
tão infalível quanto o que abarca todas as possibilidades,
o prazer e a dor,
a euforia e a lucidez,
o bem e o mal,
me atingiu com promessas,
com juras de prazer divino,
com juras de prazer real…

Saberás tu quando vibra o destino sob tantos termos e comparações, tantos nomes para tantas coisas?

Deus é qualquer um que desperta uma alma: o meu despertou a minha, que se verteu de um choro retido, estagnado, já não era límpido, era baço, denso, empoeirado,
misturava todas as dores numa: insuportável, vivida…

Marte
#69Letras

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